RIO SE TORNA POLO DE IA

Prefeitura do Rio anuncia aporte de US$ 550 milhões para Rio AI City

Data center da Meta em Indiana, nos Estados Unidos
Data center da Meta em Indiana, nos Estados Unidos — Foto: Divulgação/Meta

Investimento inicial de US$ 550 milhões impulsiona o projeto Rio AI City, com meta de transformar a capital fluminense em um dos 10 maiores polos globais de inteligência artificial até 2032. Futuras expansões podem alcançar US$ 10 bilhões.

A Prefeitura do Rio de Janeiro anunciou, nesta quinta-feira, 11/06/2026, um aporte de US$ 550 milhões (R$ 2,8 bilhões) para a plataforma de infraestrutura digital da Elea Data Centers. A decisão, formalizada durante o Web Summit Rio, visa impulsionar a implantação do projeto Rio AI City, um complexo dedicado à inteligência artificial que tem o ambicioso objetivo de posicionar a capital fluminense entre os 10 maiores polos globais do setor até 2032. Este investimento inicial é o primeiro passo de um processo de aquisição pela gestora global de infraestrutura I Squared Capital e sinaliza o começo de um ciclo de expansão que pode atingir US$ 10 bilhões nos próximos anos, impactando diretamente a economia digital e a geração de empregos qualificados na região. O prefeito Eduardo Cavaliere (PSD) selou a cooperação para o empreendimento ao assinar um Memorando de Entendimento (MOU) com a Elea Data Centers e a Companhia Carioca de Parcerias e Investimentos (CCPar). "Hoje a iniciativa avança, com o primeiro aporte do fundo", declarou o prefeito, relembrando o anúncio do projeto em um palco similar no ano anterior. Cavaliere ressaltou a visão de tornar o Rio de Janeiro o epicentro da conectividade, energia e logística estratégica do Sul Global, um movimento que fortalece a soberania digital do país e a posição do Brasil na economia mundial. Alessandro Lombardi, CEO e fundador da Elea Data Centers, destacou que a iniciativa transcende a construção de infraestrutura tecnológica. Ele descreveu o Rio como uma cidade vibrante e inovadora, ideal para a criação de um polo de aceleração de inteligência artificial. A Rio AI City busca consolidar um ecossistema que atraia investimentos, promova o desenvolvimento de capital humano e estabeleça o Rio como centro da transformação digital global, com foco em sustentabilidade e impacto social positivo. O projeto visa inserir o Brasil de forma proeminente na economia digital internacional. O Rio AI City prevê a construção de um amplo complexo de data centers na região do Parque Olímpico, na Barra Olímpica, com investimentos totais estimados em cerca de US$ 65 bilhões ao longo da próxima década. A primeira fase contempla uma capacidade energética de 1,5 gigawatt (GW), com projeção de expansão para até 3 GW em 2032. O complexo já conta com o data center RJO1 em funcionamento e planeja novas unidades para processamento de inteligência artificial e computação em nuvem. A expectativa é gerar mais de 10 mil empregos qualificados e atrair um vibrante ecossistema de startups, centros de pesquisa e empresas de tecnologia, fomentando a inovação e o crescimento econômico. A crescente demanda global por inteligência artificial tem elevado significativamente a necessidade de data centers, estruturas essenciais para o processamento e armazenamento de dados em larga escala. Esses empreendimentos demandam um vasto suprimento de energia para alimentar supercomputadores e sistemas de refrigeração. A capacidade inicial prevista para o Rio AI City, de 1.500 megawatts, é comparável ao consumo diário de aproximadamente 6 milhões de residências, o que alerta para a necessidade de expansão da infraestrutura elétrica e de um planejamento ambiental cuidadoso para suportar o porte do empreendimento. Especialistas apontam que, embora o consumo efetivo varie com a operação, a expansão da infraestrutura elétrica e o planejamento ambiental são cruciais. O mercado de data centers, impulsionado por aplicações como ChatGPT, tornou-se um ativo estratégico, com investimentos bilionários em todo o mundo. O Brasil, apesar de sua relevância na América Latina, possui um mercado de data centers consideravelmente menor que o dos Estados Unidos. No entanto, o Rio apresenta vantagens competitivas significativas, incluindo a disponibilidade de energia, infraestrutura de telecomunicações robusta e a presença de cabos submarinos internacionais, fatores essenciais para a expansão da capacidade instalada. Para a consolidação do Rio como um hub de inteligência artificial, diversos fatores são determinantes, além da infraestrutura física. O acesso confiável e competitivo à energia elétrica, a ampliação da infraestrutura de telecomunicações, a agilidade no licenciamento de terrenos e a formação de mão de obra qualificada são desafios primordiais. A criação de um ambiente regulatório favorável, a redução da burocracia e a garantia de capacidade futura de expansão da rede elétrica são igualmente cruciais para suportar o aumento exponencial do consumo energético previsto com o avanço da IA. Pontos fortes do Rio AI City incluem a matriz elétrica brasileira com forte participação de fontes renováveis, infraestrutura de telecomunicações consolidada, presença de backbones e cabos submarinos internacionais, disponibilidade de áreas para expansão na Barra da Tijuca, capacidade de crescimento energético e um ambiente urbano atrativo para profissionais qualificados. A forte articulação entre Prefeitura, governo federal, BNDES, Finep, Eletrobras e iniciativa privada potencializa ainda mais o projeto. Alessandro Lombardi vê o Rio AI City como um marco para a soberania digital do Brasil, com o objetivo de transformar o Rio em um ecossistema global de inovação e consolidar o país em um mercado estratégico para a economia e a geopolítica tecnológica.

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