SEGURANÇA E VIGILÂNCIA
Sistemas de câmeras com IA prometem antecipar crimes e geram debate
Tecnologia analisa padrões de comportamento em tempo real, mas especialistas alertam para riscos de discriminação e ausência de regulação específica no Brasil.
Equipamentos de monitoramento evoluíram para além do registro de imagens, passando a atuar na tentativa de prever roubos e ocorrências antes que o dano se concretize. O chamado policiamento preditivo utiliza IA para identificar situações fora do padrão, transformando o papel do vigilante na gestão de segurança privada e pública.
O funcionamento ocorre por meio da conversão de imagens em metadados, sequências numéricas que permitem ao sistema reconhecer comportamentos anômalos. Conforme explica Nicolau Ramalho, fundador da NoLeak, a ferramenta não toma decisões autônomas, mas emite alertas para que um operador humano avalie a necessidade de intervenção, seja por equipe de segurança ou força policial.
Apesar da promessa de eficiência operacional — como a redução do cansaço visual e o monitoramento em larga escala —, o avanço dessas tecnologias acende um alerta ético. Fernanda Rodrigues, do Instituto de Referência em Internet e Sociedade (IRIS-BH), destaca que a vigilância constante pode restringir o direito de ir e vir, atingindo cidadãos que não possuem qualquer envolvimento com atividades ilícitas.
O histórico internacional reforça essas preocupações. Nos Estados Unidos, o sistema PredPol foi descontinuado em 2020 após evidências de que o monitoramento potencializava abordagens indevidas em comunidades vulneráveis, evidenciando falhas na precisão dos algoritmos e risco de vieses discriminatórios.
No Brasil, o cenário regulatório ainda é incipiente. Embora a LGPD imponha limites ao tratamento de dados sensíveis, não existe uma legislação específica para o policiamento preditivo. Atualmente, o Ministério da Justiça e Segurança Pública orienta a revisão humana obrigatória, e o Congresso debate um projeto de lei para classificar ferramentas de análise comportamental como de alto risco, exigindo transparência e avaliação de impacto.
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