ALIMENTOS E PREÇOS
Preços globais de alimentos caem pelo segundo mês consecutivo em junho, aponta FAO
Recuo foi puxado pelo açúcar, cereais e laticínios, enquanto óleos vegetais e carnes subiram. Índice ainda está 18,7% abaixo do pico de março de 2022.
Os preços globais dos alimentos registraram uma leve queda em junho, marcando o segundo mês consecutivo de recuo. A decisão, divulgada nesta sexta-feira, 03/07/2026, pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), foi impulsionada pela diminuição nos valores do açúcar, dos cereais e dos laticínios, que superaram as altas dos óleos vegetais e das carnes. Essa variação impacta diretamente a segurança alimentar global e as economias de países exportadores e importadores, refletindo a dinâmica do comércio internacional de commodities.
O Índice de Preços dos Alimentos da FAO, que acompanha as flutuações mensais de commodities agrícolas comercializadas internacionalmente, como cereais, carnes, laticínios e óleos vegetais, atingiu uma média de 130,3 pontos em junho. Este valor representa uma ligeira redução em comparação com os 130,8 pontos registrados em maio, consolidando a tendência de queda.
O Brasil, um dos maiores fornecedores globais de produtos como açúcar, milho, soja e carnes, sente de perto essas oscilações. A queda nos preços globais pode afetar as receitas de exportação, enquanto aumentos futuros podem pressionar a inflação interna e o bolso do consumidor.

O índice de junho ficou 1,7% acima do nível observado um ano antes, evidenciando a volatilidade do mercado. Contudo, ele permanece 18,7% abaixo do recorde histórico alcançado em março de 2022, um período marcado pelas tensões geopolíticas decorrentes da invasão da Ucrânia pela Rússia, que impactaram significativamente as cadeias de suprimentos globais.
A queda nos preços dos cereais foi de 3,5% em relação a maio. Os valores do trigo foram influenciados pelo avanço da colheita e pela perspectiva de ampla oferta na região do Mar Negro. O milho também apresentou recuo, impulsionado pela expectativa de oferta abundante na América do Sul e pela diminuição nos preços do petróleo, que afeta os custos de transporte e produção.
Em contrapartida, o índice de preços do arroz da FAO apresentou alta de 3,2%, estimulado pela maior demanda na Ásia pelo tipo indica, uma variedade amplamente consumida na região.
Os preços do açúcar caíram 5,7%, com a desvalorização do etanol no Brasil incentivando usinas a destinarem mais cana-de-açúcar para a produção do adoçante. No entanto, preocupações sobre possíveis impactos do fenômeno El Niño nas safras da Índia e da Tailândia moderaram o recuo da commodity.
Os laticínios registraram queda de 1,5%, reflexo do aumento da oferta global. Já o índice de carnes da FAO subiu 0,4%, renovando um recorde histórico, impulsionado principalmente pelos preços da carne de aves, que sustentados por uma forte demanda mundial.
Os óleos vegetais avançaram 3,8%, com destaque para o óleo de palma e da colza. Esse aumento foi parcialmente atribuído à maior demanda por biodiesel, que utiliza esses insumos em sua produção.
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