DIPLOMACIA ESTRATÉGICA

Xi Jinping declara apoio ao Brasil contra interferência externa em diálogo com Luiz Inácio Lula da Silva

Lula e Xi Jinping em encontro oficial na China
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente da China, Xi Jinping, em Pequim, durante visita oficial do presidente brasileiro — Foto: Ricardo Stuckert/Presidência da República via BBC

Líderes discutem expansão de parcerias tecnológicas e aceleração do acordo Mercosul-China, mirando a estabilidade no Sul Global.

O governo brasileiro e a China reafirmaram o compromisso com a soberania nacional e a ampliação da cooperação estratégica, consolidando uma agenda voltada ao fortalecimento do Sul Global. O diálogo ocorreu na noite deste domingo (26), por telefone, envolvendo o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o líder chinês Xi Jinping, com o objetivo de alinhar posições sobre governança internacional e desenvolvimento econômico.

Durante a conversa, Xi Jinping enfatizou que a China apoia o Brasil na rejeição à interferência externa, defendendo a salvaguarda da independência brasileira. O posicionamento, divulgado pela agência estatal Xinhua, destaca a importância de ambos os países na reforma do sistema de governança global e na defesa da justiça internacional frente aos desafios geopolíticos contemporâneos.

Na pauta econômica, a administração Lula reiterou o empenho em diversificar parcerias comerciais. Os líderes avançaram nas tratativas para acelerar um possível acordo Mercosul-China, buscando flexibilidades que beneficiem as economias da região. A cooperação em setores de alta tecnologia, como inteligência artificial, satélites, minerais críticos e fertilizantes, foi elencada como prioridade para o desenvolvimento nacional de ambos os lados.

O cenário internacional também dominou o debate. Brasil e China manifestaram preocupação com os impactos de conflitos na segurança alimentar e energética, citando especificamente as tensões no Oriente Médio, as restrições nos estreitos de Ormuz e Bab el-Mandeb, e a crise humanitária em Gaza. Sobre o conflito na Ucrânia, os presidentes reafirmaram o papel do Grupo de Amigos da Paz, iniciativa diplomática lançada em setembro de 2024 na Organização das Nações Unidas (ONU).

Ao criticar a ineficiência do Conselho de Segurança da ONU diante das crises atuais, o Palácio do Planalto reforçou que manterá coordenação próxima com Pequim em fóruns como o Brics. A movimentação diplomática ocorre em um momento em que Luiz Inácio Lula da Silva posiciona o Brasil contra tarifas impostas pelos Estados Unidos, buscando alternativas para proteger investimentos e a soberania econômica do país.

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