CRISE NO CAMPO
Entre a fome e a lei: agricultores colombianos abandonam o sonho de largar o narcotráfico
Falhas no Programa Nacional Integral de Substituição de Cultivos Ilícitos levam famílias de volta à coca por falta de infraestrutura e apoio financeiro.
Milhares de agricultores colombianos, confrontados pela extrema vulnerabilidade social e pela ausência do Estado, veem-se forçados a retomar o cultivo de coca após tentativas frustradas de transição para a economia legal. A decisão, que se arrasta desde a criação do Programa Nacional Integral de Substituição de Cultivos Ilícitos (PNIS) em 2017, reflete a desilusão de famílias que, em 2024, optaram pela sobrevivência imediata em detrimento da promessa de uma vida lícita.
Para produtores como Perea, residente na província de Meta, a transição da coca para culturas como mandioca e banana tornou-se inviável. A ausência de estradas adequadas e a recorrência de inundações impedem o escoamento da produção, transformando o sonho da legalidade em uma armadilha financeira. Quando o apoio estatal prometido não se concretiza, o retorno ao arbusto torna-se a única alternativa para garantir a subsistência dos filhos.
O cenário é agravado pela dinâmica da economia ilícita, onde a folha de coca oferece rapidez de colheita e compradores garantidos, superando a rentabilidade de culturas tradicionais. Especialistas, como o pesquisador Lucas Marín Llanes, apontam que a coca chegou a elevar o PIB municipal em até 10% entre 2014 e 2019, consolidando-se como um pilar de sustentação para comunidades marginalizadas.
Apesar da implementação do programa RenHacemos, que busca corrigir as falhas estruturais do PNIS com promessas de infraestrutura e conectividade, a fragilidade da segurança pública e a demanda internacional crescente por cocaína mantêm o setor em expansão. Enquanto o governo tenta negociar a paz, agricultores como Elena Hernández testemunham a desintegração de um projeto que prometia dignidade, mas entregou, muitas vezes, apenas o abandono institucional.
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