CUSTO DA INTOLERÂNCIA

Preconceito LGBT+ custa R$ 94,4 bilhões ao Brasil, aponta estudo

Preconceito LGBT+ custa R$ 94,4 bilhões ao Brasil, aponta estudo

Exclusão no mercado de trabalho gera perdas fiscais de R$ 14,6 bi; desemprego é o dobro da média nacional.

O Brasil enfrenta uma perda anual de R$ 94,4 bilhões em sua economia, conforme revelado por um estudo abrangente divulgado neste domingo, 17 de maio de 2026. Realizada pelo Banco Mundial em parceria com o Instituto Matizes, o Instituto Mais Diversidade e um consórcio de organizações LGBT+ no País, a pesquisa aponta que essa colossal sangria financeira, que representa cerca de 0,8% do Produto Interno Bruto (PIB), é resultado direto das barreiras de acesso e permanência no mercado de trabalho impostas pela discriminação e exclusão social à população LGBT+. Os dados, mapeados em meados de 2025, não apenas expõem um gargalo econômico, mas ressaltam o alto custo humano da intolerância, afetando a dignidade e as oportunidades de milhares de cidadãos.

A pesquisa detalha um cenário preocupante: a taxa de desemprego entre profissionais LGBT+ alcança 15,2%, o dobro da média nacional de 7,7%. Além disso, uma parcela significativa de 37,4% dessas pessoas está fora da força de trabalho, seja por desistência ou pela dificuldade de encontrar uma colocação, em contraste com a média populacional de 33,4%. Este cenário adverso não se limita ao indivíduo; impõe resultados negativos às contas públicas, com prejuízos fiscais estimados em R$ 14,6 bilhões anuais, uma combinação de menor arrecadação e maior pressão sobre os gastos públicos.

O estudo, intitulado "Custo econômico da exclusão baseada em orientação sexual, identidade e expressão de gênero e características sexuais no mercado de trabalho brasileiro", reuniu informações de 11.231 participantes para analisar como estigma, discriminação e desigualdade moldam emprego, renda e produtividade no Brasil. Lucas Bulgarelli, diretor do Instituto Matizes e um dos porta-vozes da pesquisa, expressa preocupação com a magnitude das perdas econômicas associadas à exclusão. "A recorrente violência e os preconceitos contra a população LGBT+, à medida que se somam ao longo da trajetória de vida dessa população, criam barreiras para ingresso no mercado de trabalho que são cumulativas e persistentes", salienta Bulgarelli.

Embora existam avanços importantes, como a criação de um Plano Nacional do Trabalho Digno LGBT+, uma portaria destinada a promover a inclusão e combater a discriminação, o desafio reside agora em tornar esses compromissos efetivos. "Não estamos propriamente na fase zero de criação das primeiras políticas e ações, e sim no momento de tornar efetivos os compromissos assumidos", afirma Bulgarelli, sublinhando a urgência de ação concreta.

A exclusão no mercado de trabalho atinge alguns grupos LGBT+ com ainda mais intensidade. Mulheres e pessoas negras enfrentam um somatório de estigmas que amplificam as barreiras. Enquanto homens brancos dentro do segmento LGBT+ sofrem uma penalidade salarial menor (-6%), mulheres pretas são penalizadas em -13%. A situação é ainda mais crítica para mulheres trans negras, que enfrentam taxas de desemprego até três vezes maiores e rendimentos até 40% menores, revelando camadas de preconceito que se sobrepõem e intensificam a vulnerabilidade.

No próprio ambiente de trabalho, o cenário é desolador: entre 30% e 65% dos entrevistados relataram ter ouvido ou testemunhado condutas discriminatórias contra si ou colegas LGBT+. Mais alarmante ainda, entre 40% e 70% foram forçados a esconder sua verdadeira identidade para evitar preconceitos, um custo emocional e psicológico que mina a dignidade e o bem-estar. Para Ricardo Sales, presidente do Instituto Mais Diversidade e também porta-voz da pesquisa, esses dados demonstram que as empresas, muitas vezes, reproduzem os estigmas presentes na sociedade.

As informações deste estudo foram originalmente apuradas pelo jornal O Estado de S. Paulo.

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