BARREIRAS NO ESPORTE

Desigualdade social e racial limita acesso à atividade física no Brasil

Mulher atleta em ambiente de treinamento
Evento Domingo no Campus, da UFMG. — Foto: Raphaella Dias / Divulgação

Estudo revela que gênero, raça e escolaridade restringem o lazer ativo. A trajetória de Gabriele dos Santos exemplifica o poder transformador das oportunidades.

A prática de exercícios físicos no Brasil é um privilégio condicionado por barreiras estruturais que transcendem a simples vontade individual. Uma pesquisa acompanhada por uma década em São Paulo revelou que mulheres negras, pardas, indígenas e amarelas com menor escolaridade constituem o grupo com os menores índices de atividades de lazer, evidenciando como a desigualdade social e racial dita quem consegue se movimentar no país.

A pesquisadora Andreia Alexandra Machado, autora do estudo, aponta que essas mulheres enfrentam uma sobrecarga severa, conciliando jornadas exaustivas de trabalho remunerado com afazeres domésticos e o cuidado constante de familiares. Essa estrutura social retira o tempo livre e o acesso a recursos necessários, como parques seguros, ciclovias e segurança pública, transformando escolhas individuais em reflexos de disparidades sociais.

Para o setor público, os dados servem como um alerta de que políticas de saúde devem integrar o urbanismo e a justiça social. A prática esportiva não depende apenas da disposição pessoal, mas da oferta concreta de infraestrutura nas periferias e da democratização do acesso aos espaços públicos.

O outro lado dessa estatística é ilustrado pela trajetória de Gabriele dos Santos, atleta de salto triplo do Esporte Clube Pinheiros. Nascida e criada em uma favela de SP, ela transformou sua realidade através de projetos sociais esportivos. Para a atleta, o suporte coletivo foi determinante para transpor limitações financeiras e geográficas. Hoje, ela defende que a superação dessas barreiras é um direito que precisa ser garantido a mais pessoas, transformando o esporte em uma ferramenta de mobilidade e dignidade.

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