FRAUDE CONTRA PACIENTES
Polícia investiga grupo que fornecia remédios falsos contra câncer no RS
Empresário é preso em operação que apura o fornecimento de medicamentos falsos para o tratamento de câncer, com potencial impacto na dignidade de pacientes e na confiança em serviços públicos.
Uma operação da Polícia Civil do Rio Grande do Sul, deflagrada nesta segunda-feira, 29 de junho de 2026, busca desarticular um grupo suspeito de fraudar concorrências e fornecer medicamentos falsos para pacientes em tratamento contra o câncer. A investigação, focada na Fronteira Oeste do Estado, aponta para o uso de empresas de fachada e entrega parcial de remédios, afetando diretamente a dignidade e a esperança de pessoas em situação de vulnerabilidade.
Batizada de Operação Placebo, a apuração da Delegacia de Polícia de São Gabriel identificou indícios de fraude em orçamentos e o fornecimento de substâncias com suspeita de falsificação. As medidas cautelares visam 15 pessoas e 14 empresas, evidenciando a complexidade do esquema que pode ter desviado recursos públicos e comprometido a saúde de pacientes que dependiam de tratamento.
Preso durante a ação, o empresário Lisandro Henriques Hermes, de São Gabriel, é apontado pela Polícia Civil como o principal articulador do grupo. Investigadores afirmam que ele controlaria, direta ou indiretamente, empresas como a Licifarma e a LH Medicamentos, que teriam vencido 12 concorrências. Hermes negou as acusações e alegou desconhecer a suspeita de falsificação, defendendo-se de apreensões de medicamentos e suplementos que, segundo ele, foram descartados por controle de qualidade.
A investigação teve início após uma farmacêutica da Santa Casa de São Gabriel identificar, em junho de 2025, possíveis sinais de falsificação em frascos do medicamento Enhertu, utilizado no tratamento de câncer de mama avançado e adquirido com recursos públicos. A embalagem apresentava erros de grafia, um dos indícios que levantaram suspeitas sobre a autenticidade do produto e a segurança dos pacientes.
A Polícia Civil também aponta a participação de um oncologista, responsável por emitir laudos médicos que fundamentavam as ações judiciais para obtenção dos medicamentos. Conforme o delegado Daniel Severo, o médico seria o responsável por captar pacientes e indicar advogados pertencentes ao esquema, evidenciando uma articulação que buscava burlar o acesso legal aos tratamentos. Três advogados também são investigados pelo núcleo jurídico que atuava em conjunto com o núcleo empresarial para fraudar concorrências.
O esquema investigado resultou na identificação de 39 vítimas, sete das quais faleceram durante o tratamento. A operação busca coibir práticas que atentam contra a vida e a dignidade humana, além de restaurar a confiança nos sistemas de saúde e aquisição pública.
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) já havia determinado, em fevereiro de 2026, a proibição da comercialização e distribuição de um lote do medicamento Enhertu (trastuzumabe deruxtecana). A Resolução-RE nº 641, de 18 de fevereiro de 2026, atingiu o lote 416466 após a fabricante Daiichi Sankyo Brasil comunicar divergências como frascos com dimensões superiores ao padrão, descascamento nas tampas e diferenças na coloração e material de fechamento. A Anvisa orientou que distribuidores e farmácias verifiquem seus estoques e interrompam a circulação do lote.
A Daiichi Sankyo Brasil informou ter tomado conhecimento de unidades falsificadas de Enhertu, relacionadas a um lote específico (394373), que não corresponde aos produtos fabricados pela empresa. A farmacêutica notificou a Anvisa em junho de 2025 e colabora integralmente com as investigações, reforçando que a saúde e segurança dos pacientes é prioridade absoluta e que orienta a aquisição de medicamentos exclusivamente por distribuidores homologados.
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