JUSTIÇA EM AÇÃO

Polícia Federal prende Carlinhos Cachoeira em São Paulo

Carlinhos Cachoeira, contraventor conhecido, em imagem da Agência Câmara
Carlinhos Cachoeira, condenado a 9 anos e 4 meses por corrupção ativa. Foto: Reprodução/Agência Câmara

Contraventor foi detido no Aeroporto de Congonhas por mandado preventivo da 8ª Vara Criminal de Goiânia, referente a crimes de calúnia, difamação e injúria.

A Polícia Federal prendeu o conhecido contraventor Carlinhos Cachoeira na tarde desta quarta-feira, 13 de maio de 2026, no Aeroporto de Congonhas, em São Paulo. A detenção ocorreu por força de um mandado de prisão preventiva emitido pela 8ª Vara Criminal de Goiânia, que o investiga pelos crimes de calúnia, difamação e injúria. Este novo desdobramento reacende a discussão sobre a efetividade da justiça em casos de alta repercussão, envolvendo figuras já condenadas por crimes graves, e mostra a persistência das autoridades em apurar condutas, impactando a percepção pública sobre a impunidade.

A prisão de Carlos Augusto de Almeida Ramos, nome real de Carlinhos Cachoeira, foi realizada na Zona Sul da capital paulista e representa mais um capítulo em uma trajetória marcada por escândalos e investigações. O mandado preventivo sinaliza que a decisão judicial não é definitiva, cabendo recursos e um processo de investigação contínuo sobre as novas acusações.

Quem é Carlinhos Cachoeira?

Carlinhos Cachoeira ganhou notoriedade nacional como o articulador de vastos esquemas de jogos ilegais. Sua figura veio à tona com força em 2012, quando se tornou alvo principal da Operação Monte Carlo, deflagrada pela Polícia Federal. Essa investigação desnudou uma intrincada rede que operava a exploração de caça-níqueis, corrupção em várias esferas e uma notável capacidade de influência sobre políticos, empresários e agentes públicos.

O impacto do caso foi ampliado pela revelação de escutas telefônicas, que expuseram ligações frequentes entre Cachoeira e o então senador Demóstenes Torres, além de citar diversas outras autoridades e figuras do meio empresarial. As apurações da Operação Monte Carlo também alcançaram a construtora Delta e resultaram na instauração de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) no Congresso, conhecida como CPMI do Cachoeira.

Antes mesmo da Operação Monte Carlo, Cachoeira já havia figurado em outro grande escândalo político. Em 2004, seu nome emergiu no caso Waldomiro Diniz, ex-assessor da Casa Civil do governo Lula, que foi flagrado em vídeo discutindo propinas e atividades ilegais relacionadas a jogos.

Detido em 2012, o contraventor acumulou condenações por crimes como corrupção, formação de quadrilha e exploração de jogos ilegais, com penas que, somadas, superavam os 39 anos de prisão. Contudo, grande parte desses processos foi respondida em liberdade, graças a sucessivos recursos judiciais que mantiveram sua situação em constante revisão.

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