ALVO DE SANÇÕES
Polícia Federal prende brasileira sancionada pelos EUA por suspeita de ligação com tráfico internacional de drogas
Stella Stefanie de Oliveira foi detida em operação que desarticulou esquema de lavagem de dinheiro. Justiça bloqueou mais de R$ 10 bilhões. Investigação começou em março com autoridades dos Estados Unidos.
A Polícia Federal prendeu, nesta sexta-feira, 04/07/2026, Stella Stefanie de Oliveira, brasileira alvo de sanções do governo dos Estados Unidos. A detenção ocorreu durante uma operação que cumpriu mandados de prisão temporária e de busca e apreensão em quatro cidades do estado de São Paulo, mobilizando mais de 50 agentes. A ação faz parte de uma investigação sobre suspeitas de ligação com o tráfico internacional de drogas e lavagem de dinheiro. Sete pessoas foram presas no total. Stella é apontada como secretária e prima de Victor Shimada, empresário que a PF considera o chefe de um esquema de lavagem de dinheiro do tráfico, com conexões até mesmo com o PCC. Shimada está foragido. A importância desta prisão reside na desarticulação de uma rede financeira ilícita que movimentava quantias milionárias, com impacto direto na capacidade de atuação do crime organizado.
Segundo as apurações, Stella coordenava a logística de recolhimento do dinheiro proveniente de atividades criminosas. A forma rudimentar de controle financeiro chamou a atenção dos investigadores: datas e valores de transações milionárias eram anotados em cédulas de R$ 2, servindo como recibo para os traficantes. A Justiça, em resposta à gravidade das evidências, determinou o bloqueio de mais de R$ 10 bilhões pertencentes aos suspeitos, buscando descapitalizar a organização criminosa e afetar sua estrutura.
A investigação, iniciada em março de 2026, contou com a colaboração das autoridades americanas. Após a Justiça brasileira expedir os mandados de prisão, a Polícia Federal intensificou o monitoramento dos alvos. O governo dos Estados Unidos anunciou sanções contra Stella, Shimada e suas empresas na quarta-feira, 1º de julho. A PF observou que, logo após a sanção, o empresário desapareceu, reforçando a hipótese de atuação conjunta e a necessidade de cooperação internacional. As autoridades brasileiras, no entanto, ressaltam que os investigados já estavam sob escrutínio policial e da Receita Federal antes mesmo do anúncio das sanções americanas.
"Essas pessoas físicas e essas empresas já estavam sendo investigadas no Brasil pela Polícia Federal, pela Receita. Então, a própria autoridade brasileira informou ao governo dos Estados Unidos o que se passava aqui. O que a gente tem pedido é que os Estados Unidos nos forneça as informações, como a gente também fornece informações para eles. Inclusive, não tem novidade para a gente, que já estava investigando e punindo essas empresas”, declarou Dario Durigan, ministro da Fazenda, destacando a colaboração entre os países e a autonomia das investigações brasileiras.
O advogado de Stella, Filipe Cheles Nascimento, informou que aguarda o acesso completo aos relatórios da investigação para poder fundamentar a defesa de sua cliente. "Não tivemos acesso, ainda, a todos os relatórios. Já foi pedido. Estamos esperando a deliberação da Justiça", disse.
Em nota, o advogado de Victor Shimada afirmou que qualquer posicionamento sobre os fatos só será possível após a análise detalhada dos autos do processo, demonstrando a cautela na resposta judicial.
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