INVESTIGAÇÃO ATUAL

Polícia Federal investiga repasses de R$ 3,5 milhões a empresa ligada à família de Jaques Wagner

Senador Jaques Wagner
O senador Jaques Wagner é filiado ao PT-BA.

A corporação apura se a BN Financeira, ligada ao enteado do senador, Eduardo Sodré, recebeu valores da PKL One, ligada a Augusto Lima, ex-sócio do Banco Master, por serviços não prestados. Decisão de ministro do STF autoriza buscas em três estados.

A Polícia Federal (PF) apura repasses de R$ 3,5 milhões realizados à BN Financeira, empresa com vínculos familiares ao senador Jaques Wagner (PT-BA). Os valores teriam sido enviados pela PKL One, associada a Augusto Lima, ex-sócio do Banco Master. A investigação busca determinar se a BN Financeira serviu como canal para receber vantagens indevidas da instituição financeira controlada por Daniel Vorcaro.

Na quinta-feira, 18 de junho de 2026, a PF deflagrou a 9ª fase da Operação Compliance Zero, cumprindo 18 mandados de busca e apreensão na Bahia, São Paulo e Distrito Federal. A autorização para as diligências partiu do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF).

As evidências coletadas pela PF indicam que Eduardo Sodré, enteado de Jaques Wagner e figura ligada à BN Financeira, teria cobrado os pagamentos de Augusto Lima. Mensagens interceptadas pela investigação revelam que Sodré mencionava boletos, notas fiscais, documentos a serem assinados e outras providências necessárias para a formalização dos repasses.

Em uma das comunicações, datada de 4 de setembro de 2015, Eduardo Sodré alertou Augusto Lima: “Amanhã vence o boleto”. Documentos analisados pela PF sugerem que Augusto Lima vinculou as dificuldades em efetuar os pagamentos ao insucesso na venda do Banco Master ao Banco de Brasília (BRB). Essa conexão reforça, para os investigadores, a possibilidade de que os repasses à BN Financeira estivessem atrelados aos interesses da instituição controlada por Vorcaro.

A PF investiga se a transação entre a BN Financeira e a PKL One teve como origem a prestação de serviços legítimos ou se foi uma manobra para dar aparência de legalidade a repasses considerados irregulares. O órgão policial descreve Eduardo Sodré como uma "pessoa jurídica central no eixo dos pagamentos supostamente destinados ao núcleo familiar de Jaques Wagner", embora não especifique qual função ele exercia na BN Financeira.

A BN Financeira, empresa ligada a Sodré, é caracterizada pela PF como detentora de capital social reduzido e com "aparente baixa capacidade operacional". Esse perfil, segundo a investigação, intensifica a necessidade de verificar se a empresa possuía estrutura compatível com os serviços supostamente contratados.

Posicionamentos

A defesa de Augusto Lima emitiu nota afirmando que seu cliente "sempre atuou dentro dos limites da lei, com transparência, responsabilidade técnica e observância das normas que regem o sistema financeiro e a administração pública". A nota ressalta que as diligências realizadas pela PF nesta data eram desnecessárias, pois Augusto Lima estaria à disposição das autoridades há seis meses para esclarecer os fatos. A defesa garante que as medidas investigativas contribuirão para demonstrar a lisura dos fatos apurados.

O Poder360 buscou contato com o senador Jaques Wagner para obter manifestação sobre a operação da PF, mas não obteve resposta até a publicação desta reportagem. O texto será atualizado caso o senador se pronuncie.

O Poder360 tentou contato com os demais citados na investigação, mas não dispôs de informações de contato válidas para solicitar posicionamento. O jornal continuará os esforços para contatar os envolvidos e atualizará a matéria conforme receber manifestações.

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