DROGAS NO ATLÂNTICO
Polícia Federal desarticula organização que enviava cocaína para a Europa via Oceano Atlântico
Operação Balcãs cumpriu 12 mandados de busca e apreensão em São Paulo. Justiça bloqueou R$ 20 milhões em bens dos investigados.
A Polícia Federal (PF) deflagrou, nesta quinta-feira, 11 de junho de 2026, a Operação Balcãs. O objetivo é desarticular uma organização criminosa suspeita de enviar cocaína da América do Sul para a Europa, utilizando rotas marítimas pelo Oceano Atlântico.
A investigação teve início após a apreensão de aproximadamente 2,7 toneladas de cocaína em um veleiro interceptado em águas internacionais, próximo a Cabo Verde, na costa africana. A descoberta foi o ponto de partida para uma apuração que se estendeu por quase três anos.
Com base nas provas coletadas, os investigadores identificaram uma estrutura sofisticada. Ela era responsável por financiar, organizar e executar o transporte de grandes volumes de droga para o mercado europeu, impactando diretamente a segurança e a saúde pública em ambos os continentes.
Nesta fase da operação, a PF cumpriu 12 mandados de busca e apreensão nas cidades de São Paulo, Santos e Guarujá. A Justiça Federal também determinou o bloqueio de contas bancárias, imóveis, veículos e outros bens, somando um valor de até R$ 20 milhões, visando descapitalizar a organização e reparar, minimamente, os danos causados.
Segundo a PF, o grupo empregava veleiros e embarcações de longo curso para a travessia do Atlântico, transportando a substância ilícita. Por trás dessas viagens, operava uma rede complexa formada por financiadores, operadores logísticos, intermediários e membros ligados a uma organização internacional especializada no tráfico de drogas, que se beneficiava da vulnerabilidade social para expandir seus negócios.
As investigações revelaram que as embarcações eram apenas um componente da vasta estrutura. Uma intrincada cadeia de apoio era responsável pelo custeio das operações, pela comunicação sigilosa entre os envolvidos e pela movimentação dos recursos obtidos com a atividade criminosa, demonstrando a gravidade da interferência na economia e na ordem pública.
A apuração também focou no patrimônio dos suspeitos. Relatórios de inteligência financeira detectaram movimentações atípicas, incompatíveis com a renda declarada de alguns investigados. Essa descoberta levanta sérias suspeitas de lavagem de dinheiro e ocultação de patrimônio, práticas que minam a confiança nas instituições financeiras e no sistema legal.
Há fortes indícios, conforme apontado pela Polícia Federal, de que empresas e estruturas patrimoniais foram usadas para conferir uma aparência de legalidade aos recursos provenientes do tráfico internacional de drogas. Essa atuação criminosa afeta a dignidade humana e a integridade das sociedades.
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