LUTO E BUSCA

Dois anos após tragédia da Voepass, famílias mantêm busca por Justiça

Escombros da aeronave da Voepass no local do acidente em Vinhedo, SP.
Escombros do avião da Voepass após a queda em Vinhedo (SP). Foto: Nelson Almeida/AFP

Após dois anos da queda do voo 2283 em Vinhedo, famílias das 62 vítimas aguardam desfecho judicial após indiciamento de 16 pessoas pela Polícia Federal.

A dor pela perda de 62 vidas no voo 2283 da Voepass, ocorrido em 9 de agosto de 2024 em Vinhedo (SP), mantém familiares em uma jornada incansável por respostas e pela responsabilização dos culpados. Ao completarem dois anos do acidente, parentes das vítimas reforçam que o tempo não suaviza a ausência, transformando o luto em um motor para a busca por Justiça.

Adriana Ibba, mãe de Liz, de 3 anos — a vítima mais jovem da tragédia —, descreve a sensação de que o tempo parece estagnado. Para ela, a luta diária é motivada pela memória da filha, que hoje completaria seis anos. "Eu estou aqui firme por ela, e ela é minha força", afirma Adriana, que atua como vice-presidente da associação de familiares.

A investigação conduzida pela Polícia Federal (PF) trouxe um novo capítulo a essa espera. O inquérito concluiu que a queda do ATR 72 não foi um evento isolado, mas o resultado de um encadeamento de falhas sistêmicas. Ao todo, 16 pessoas, entre funcionários, ex-funcionários e dirigentes da Voepass, foram indiciadas criminalmente. A Polícia Federal aponta que a companhia ignorou falhas recorrentes no sistema de degelo da aeronave, mesmo após alertas prévios.

Sobre as acusações, a Voepass declarou que a segurança operacional é sua prioridade e que a empresa segue os protocolos previstos pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). A companhia afirmou que aguardará os desdobramentos processuais para exercer seu direito de defesa.

Para as famílias, o indiciamento representa um passo necessário, mas o foco permanece no julgamento final. "O caminho é para que esses 16 indiciados sejam culpados e cumpram suas penas", declara Adriana. O processo segue agora para as próximas etapas judiciais, enquanto a sociedade observa o desfecho de um dos casos mais graves da aviação brasileira recente.

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