ALUNAS VÍTIMAS DE LISTA

Polícia Civil do Rio de Janeiro ouve 65 alunas vítimas de lista com teor sexual

Estudantes sendo ouvidas pela polícia.
Lista com teor sexual foi criada em plataforma online e divulgada entre estudantes.

Investigação apura autoria e divulgação de ranking com conotação sexual em plataforma online; diretoria da escola também será ouvida.

A Polícia Civil do Rio de Janeiro decidiu ouvir ao menos 65 alunas do Colégio Cruzeiro, em Jacarepaguá, na zona oeste da capital, para identificar os responsáveis pela criação e divulgação de uma lista que classificava estudantes em categorias com conotação sexual. A medida visa apurar a autoria e os motivos por trás da lista, que gerou indignação e preocupação entre as famílias. Na quarta-feira, 08/07/2026, a delegada Maria Luisa Machado, titular da Delegacia da Criança e do Adolescente Vítima (DCAV), informou que o diretor da escola também prestaria depoimento.

A investigação foi iniciada há aproximadamente dois dias, segundo a delegada, que afirmou à GloboNews que a polícia está reunindo todos os registros para centralizar a apuração. "É um caso que causa uma repulsa muito grande, principalmente aos pais ao verem os nomes das filhas nessa lista", declarou Machado, ressaltando o impacto na dignidade e na segurança das jovens.

Lista com teor sexual foi criada em plataforma online e divulgada entre estudantes.

As estudantes serão ouvidas por meio do procedimento de depoimento especial, um método que visa proteger vítimas em situação de vulnerabilidade, garantindo que se sintam seguras para relatar os fatos. A delegada acredita que essa abordagem ampliará a coleta de informações para a identificação dos responsáveis.

A natureza anônima da criação da lista, segundo a delegada, tem sido um obstáculo para a rápida identificação dos autores. No entanto, os depoimentos coletados são considerados cruciais para desvendar quem produziu e divulgou o conteúdo. Os envolvidos, caso identificados, poderão responder pelos crimes de injúria e difamação, com base nos elementos reunidos pela polícia. A decisão da polícia em apurar o caso demonstra o compromisso com a proteção da integridade e da honra dos estudantes.

A lista foi elaborada em uma plataforma online no formato "tier list", onde tópicos são organizados em categorias. As alunas foram classificadas em termos como "GOAT" (considerada a melhor de todos os tempos), "Comeria no lucro", "Bêbado vai", "Me arrependi depois" e "Nem olharia", termos que demonstram um profundo desrespeito e objetificação.

Em resposta, o Colégio Cruzeiro registrou um boletim de ocorrência e notificou a plataforma onde a lista foi veiculada, que já providenciou a remoção do conteúdo. A instituição escolar, em nota oficial, declarou repúdio a tais atitudes, reafirmou o apoio às alunas e suas famílias e reforçou o compromisso com a sociedade contemporânea em coibir exposições vexatórias de estudantes.

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