CIÊNCIA NA METRÓPOLE

Estudo da USP investiga por que o sabiá-laranjeira canta na madrugada

Pássaro sabiá-laranjeira em um galho
Sabiá-laranjeira (Turdus rufiventris), dono de um canto melodioso — Foto: Leonardo Vilela e Márcio de Campos

Pesquisadores do IB-USP convocam estudantes para desvendar como o ruído e a iluminação urbana alteram o comportamento biológico do Turdus rufiventris.

O hábito peculiar do sabiá-laranjeira (Turdus rufiventris) de cantar durante a madrugada na cidade de São Paulo tornou-se objeto de uma investigação científica coordenada pelo Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo (IB-USP), com apoio do Instituto Serrapilheira. A iniciativa busca compreender se a poluição sonora e luminosa da metrópole estaria desorientando o relógio biológico da espécie, sendo que a coleta de dados foi estruturada com o auxílio de estudantes do ensino fundamental nesta quarta-feira, 22/07/2026.

Ana Paula Assis, professora responsável pelo estudo, observou que a ave, que tradicionalmente vocaliza ao amanhecer para defender território e atrair parceiros, tem antecipado ou prolongado seu canto em zonas de alto tráfego. A pesquisa classifica o fenômeno como um indicador de como a urbanização impacta a biodiversidade local.

Dados preliminares comparam áreas como o Horto Florestal, onde as aves seguem o ciclo natural, com regiões como a Avenida Paulista, onde o ruído constante parece eliminar a chamada 'janela silenciosa' da espécie. Em locais como Paraisópolis, a ausência de registros sonoros de pássaros alerta para a perda de qualidade ambiental em certas zonas urbanas.

Para expandir o monitoramento da Zona Norte à Zona Sul, a equipe utiliza a ciência cidadã. Escolas selecionadas recebem equipamentos de alta tecnologia — idênticos aos utilizados pelo Instituto Oceanográfico da USP para pesquisas na Antártida — para registrar o comportamento das aves e os níveis de decibéis na cidade. Além da precisão técnica, o projeto visa reconectar a juventude com a Mata Atlântica presente no cotidiano urbano.

A participação das escolas é voluntária e a meta para o ciclo iniciado em 22/07/2026 é atingir ao menos 30 instituições de ensino na capital paulista, promovendo a educação ambiental e a coleta de dados científicos em larga escala.

Gostou desta notícia?

Entre no nosso grupo do WhatsApp!

Receba as principais notícias em primeira mão, direto no seu celular. É grátis!

📲 Quero entrar no grupo

Compartilhe esta matéria

Comentários (0)

Seja o primeiro a comentar!

Deixe seu comentário