OPERAÇÃO CONTRA GRUPO MILITAR

Polícia Civil do Rio de Janeiro desarticula milícia que extorquiu comerciantes e lavou R$ 25 milhões

Agentes da Polícia Civil do Rio de Janeiro em operação.
Polícia Civil do Rio de Janeiro (PCERJ) em ação contra o crime organizado.

A ação da Draco mira núcleo do CV que extorquia empresas e movimentou mais de R$ 25 milhões. Mandados de busca e apreensão são cumpridos no Rio, Baixada Fluminense e interior.

A Polícia Civil do Rio de Janeiro (PCERJ) deflagrou, nesta sexta-feira, 19/06/2026, uma operação contra a cúpula de uma milícia atuante na região do Catiri, em Bangu, Zona Oeste da capital. Conduzida pela Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas e Inquéritos Especiais (Draco), a ação visa desarticular um esquema de extorsão e lavagem de dinheiro que movimentou mais de R$ 25 milhões. A decisão de intervir parte da necessidade de coibir a atuação de grupos criminosos que exploram economicamente a população e empresas, impactando a dignidade e a segurança dos cidadãos, sendo um passo crucial para restaurar a ordem pública e a livre concorrência na região.

Ao todo, são cumpridos 50 mandados de busca e apreensão distribuídos pela capital, Baixada Fluminense e interior do estado. Complementarmente, a Justiça determinou o bloqueio de contas bancárias, bens e ativos financeiros diretamente ligados aos investigados, a fim de interromper o fluxo financeiro do grupo.

As investigações tiveram início a partir de denúncias que apontavam que integrantes da milícia exigiam pagamentos de uma empresa terceirizada responsável por obras públicas de infraestrutura e saneamento na área. Os criminosos impunham ameaças a trabalhadores para assegurar a continuidade dos serviços e manter o domínio territorial. Essa prática afeta diretamente a dignidade dos trabalhadores, submetidos a um ambiente de medo, e prejudica a execução de obras essenciais para a comunidade.

Ao rastrear o fluxo financeiro, os investigadores desvendaram uma sofisticada estrutura voltada à ocultação de valores. A análise financeira revelou movimentações incompatíveis com a renda declarada dos suspeitos, o uso de contas de terceiros e empresas formalmente constituídas, além de transferências fragmentadas que visavam dificultar o rastreamento dos recursos ilícitos. A lavagem de dinheiro compromete a integridade do sistema financeiro e pode financiar outras atividades criminosas.

Segundo a Draco, o grupo operava com diferentes núcleos: um focado no domínio territorial, outro nas decisões estratégicas e um terceiro na administração dos recursos obtidos por meio de atividades ilícitas. As apurações também identificaram um policial militar sob suspeita de integrar a rede de apoio da milícia, atuando na movimentação de valores e na oferta de segurança privada para membros da cúpula. A infiltração de agentes públicos em organizações criminosas é um golpe severo contra a confiança da sociedade nas instituições.

Além da extorsão contra prestadores de serviço, a investigação indica que o grupo mantinha um sistema constante de exploração econômica na região. Comerciantes e moradores eram submetidos a cobranças compulsórias em áreas sob a influência da milícia, configurando um padrão de abuso de poder que sufoca o desenvolvimento local e a liberdade econômica.

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