JUSTIÇA POR DAVI
PMs são julgados por sumiço de jovem em Maceió
Familiares pedem por respostas após 12 anos do desaparecimento de Davi da Silva. Mãe faleceu em dezembro de 2025 sem ver o desfecho.
Quatro policiais militares, Eudecir Gomes de Lima, Carlos Eduardo Ferreira dos Santos, Victor Rafael Martins da Silva e Nayara Silva de Andrade, enfrentam julgamento nesta segunda-feira, 04 de maio de 2026, em Maceió. Eles são acusados de envolvimento no desaparecimento de Davi da Silva, então com 17 anos, ocorrido em agosto de 2014, após uma abordagem policial. A família de Davi, liderada pelo pai Cícero Lourenço da Silva, clama por justiça e exige respostas, um clamor que ecoa a dor de uma mãe que faleceu sem ver o desfecho do caso, sublinhando a urgência por elucidação e reparação de uma década de sofrimento.
Em um depoimento carregado de emoção no Fórum Desembargador Jairo Maia Fernandes, no Barro Duro, parte alta de Maceió, Cícero Lourenço da Silva, pai de Davi, expressou a angústia da família. Ele pediu que os suspeitos apresentem "nem que seja um fio de cabelo" que possa trazer clareza ao mistério que já dura quase doze anos. A forte carga emocional da audiência foi tanta que Cícero Lourenço chegou a passar mal durante sua fala.
O jovem Davi desapareceu após uma abordagem dos PMs da Rádio Patrulha em uma esquina do Conjunto Cidade Sorriso 1, no Benedito Bentes, também na parte alta da capital. "Quero justiça. Quero que quem pegou meu filho apresente um fio de cabelo, um osso. Davi era inocente", desabafou Cícero. Ele ressaltou que, mesmo que o filho tivesse cometido algum erro, a polícia tinha a obrigação de levá-lo para casa, pois era menor de idade à época. "Quero qualquer prova de que era o Davi, que mostre o que aconteceu", reiterou.
Este julgamento representa uma nova etapa em uma busca incessante por respostas, marcada por adiamentos anteriores. A sessão estava previamente agendada para 13 de abril, sendo remarcada para 04 de maio de 2026. A mãe de Davi, Maria José, uma feirante que acompanhou cada passo do caso, faleceu em dezembro de 2025 sem presenciar a conclusão deste doloroso processo. O julgamento já havia sido postergado em outubro de 2025. A dor da perda, amplificada pela incerteza, permanece como um fardo pesado para os que buscam a verdade.
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