CRISE POLÍTICA INSTALA

Planalto avalia retaliação após derrotas no Congresso

Presidente Lula e Davi Alcolumbre, presidente do Senado, em reunião no Palácio do Planalto
Lula e Alcolumbre no Planalto, em encontro de 14 de abril de 2026

Governo intensifica pautas econômicas enquanto decide futuro de aliados de Alcolumbre. "Novo Desenrola" entra em vigor.

O governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) enfrenta um momento de decisão crucial nesta segunda-feira, 04 de maio de 2026. Após sofrer duas significativas derrotas nos últimos dias – a rejeição histórica do nome de Jorge Messias pelo Senado para o Supremo Tribunal Federal (STF) e a derrubada de um veto presidencial pelo Congresso ao PL da Dosimetria, que beneficia Jair Bolsonaro (PL) e envolvidos no 8 de Janeiro –, o Planalto avalia uma possível retaliação ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP). Esta crise política ameaça não apenas a governabilidade, mas também pautas sociais e econômicas de grande impacto na vida dos brasileiros, como a redução da jornada de trabalho e o programa de renegociação de dívidas.

Reservadamente, integrantes do governo discutiram medidas de retaliação a Davi Alcolumbre, como a demissão de indicados ligados ao senador em cargos estratégicos. Contudo, o martelo ainda não foi batido, e a decisão final depende do aval de Lula, que prefere esperar a temperatura política baixar e focar em agendas econômicas prioritárias para o país.

No dia 1º de maio, data em que se celebra o Dia do Trabalhador, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez um pronunciamento em rede nacional de rádio e TV. Na ocasião, o petista abordou os programas "6 X 1", referente à jornada de trabalho, e o "Novo Desenrola", um plano de renegociação de dívidas, buscando desviar o foco da tensão com o Legislativo. Não houve menção direta às recentes desavenças com o Senado em sua mensagem.

O Planalto, estrategicamente, posiciona a potencial redução da jornada de trabalho (o "6 X 1") como uma política de bem-estar social, especialmente para as mulheres, que representam a maior parte do eleitorado. Para combater o crescente endividamento das famílias brasileiras, o "Novo Desenrola" foi lançado nesta segunda-feira, 04 de maio de 2026, por meio de Medida Provisória. A iniciativa entra em vigor imediatamente, mas depende da aprovação do Congresso Nacional em até 120 dias para se converter em lei definitiva.

Alcolumbre em pauta

Apesar dos esforços do governo para mudar o assunto, o impasse com o Senado permanece. A possível retaliação a Alcolumbre continua em análise. Uma das hipóteses é, de fato, a exoneração de ocupantes de cargos de confiança ligados ao senador na Esplanada. No entanto, a cautela prevalece, dada a complexidade da articulação política.

Davi Alcolumbre emerge do episódio envolvendo Jorge Messias com um notável poder de barganha sobre o governo. A PEC do fim da escala "6 X 1", por exemplo, avança na Câmara e deve ser votada em plenário em maio. Em seguida, seguirá para o Senado, onde o ritmo de tramitação será ditado pelo presidente da Casa. Para o governo, a aprovação dessa proposta antes das próximas eleições é crucial, visto que 55,7% dos brasileiros apoiam o fim da escala, conforme pesquisa AtlasIntel/Bloomberg.

Além disso, o presidente do Senado detém a PEC da Segurança Pública, uma proposta que espera seu despacho para ser encaminhada à CCJ (Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania). Sem esse movimento, o projeto fica estagnado. O governo vê essa PEC como uma vitrine em um dos temas que mais afligem os brasileiros, segundo dados do Datafolha.

Em 2026, o governo ainda precisa da aprovação do Senado para 27 indicações importantes a órgãos reguladores e bancos, incluindo Banco Central, Cade, CVM, Anvisa, Anatel e Aneel. Essas nomeações, embora sem efeito eleitoral direto, são essenciais para o funcionamento da máquina pública e para a articulação política.

O futuro de Messias

Sobre a rejeição de Jorge Messias, o presidente Lula não se manifestou publicamente. O advogado-geral da União chegou a colocar seu cargo à disposição após o revés, mas Lula demonstra o desejo de manter o aliado no governo. Ambos devem se reunir nesta semana para uma conversa definitiva sobre a permanência de Messias no Planalto.

Quanto à vaga no STF, a avaliação no Planalto é que Lula não abrirá mão de sua prerrogativa de indicar um novo nome, embora o momento dessa indicação ainda seja incerto. Por ora, o foco é superar a crise e avançar nas pautas econômicas.

Leia também:

  • Governo Lula estuda retaliar Alcolumbre e vê traição até do PSB
  • Mulheres viram foco central das campanhas de Lula e Flávio
  • Partidos com ministérios votaram contra veto de Lula à dosimetria
  • PT vai ao STF contra dosimetria aprovada no Congresso

Opções de Capa

Gostou desta notícia?

Entre no nosso grupo do WhatsApp!

Receba as principais notícias em primeira mão, direto no seu celular. É grátis!

📲 Quero entrar no grupo

Compartilhe esta matéria

Comentários (0)

Seja o primeiro a comentar!

Deixe seu comentário