INVESTIGAÇÃO FINANCEIRA

PF rejeita delação de Daniel Vorcaro e mantém investigação sobre Banco Master

Foto de Daniel Vorcaro, ex-banqueiro.
Daniel Vorcaro, ex-banqueiro do Banco Master, teve proposta de delação premiada rejeitada pela Polícia Federal.

A Polícia Federal considerou a proposta do ex-banqueiro Daniel Vorcaro genérica, sem apresentar novidades sobre o caso do extinto Banco Master. A decisão impacta a linha do tempo da Operação Compliance Zero e a busca por informações sobre fraudes.

A Polícia Federal (PF) rejeitou, na última quarta-feira, 20 de maio de 2026, a proposta de delação premiada do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, uma figura central nas investigações sobre o extinto Banco Master. A decisão se deu porque a proposta, apresentada à PF e à Procuradoria Geral da República (PGR), foi considerada pela corporação como insuficiente, sem trazer novidades que avançassem as apurações já realizadas sobre supostos investimentos indevidos em previdências municipais e estaduais e trocas de mensagens com autoridades.

A primeira prisão de Daniel Vorcaro ocorreu em 17 de novembro de 2025, durante a deflagração da Operação Compliance Zero, que apura a emissão de títulos de crédito falsos por instituições financeiras. Vorcaro foi detido no Aeroporto de Guarulhos enquanto tentava embarcar para Dubai, em uma viagem que, segundo ele, visava concluir a negociação da venda do Banco Master a um consórcio internacional. A PF, contudo, temia o risco de fuga.

Onze dias após a primeira prisão, em 28 de novembro de 2025, o Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1) determinou a soltura de Daniel Vorcaro. Ele entregou seu passaporte e passou a ser monitorado eletronicamente, sob a condição de não deixar o país e de se apresentar à Justiça periodicamente.

Apesar da liberdade vigiada, Vorcaro voltou a ser preso preventivamente em 4 de março de 2026, na terceira fase da Operação Compliance Zero. Um relatório da PF apontou que o ex-banqueiro teria continuado a ocultar recursos vultosos em nome de terceiros mesmo após a soltura. Na mesma ocasião, Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, também foi detido.

Pouco mais de uma semana depois, em 13 de março de 2026, a segunda turma do Supremo Tribunal Federal (STF) analisou a legalidade das prisões preventivas relacionadas ao caso Master. Por unanimidade, os ministros, com relatoria do ministro André Mendonça, decidiram pela manutenção das prisões dos investigados. No mesmo dia, o advogado José Luís Oliveira Lima assumiu a defesa de Vorcaro com o objetivo de organizar uma proposta de delação premiada.

As primeiras tratativas para a delação iniciaram em 19 de março, e a proposição formal à PF e à PGR ocorreu em 5 de maio de 2026. A proposta foi formalmente recusada pela PF na última quarta-feira (20), encerrando as expectativas de revelações imediatas por parte do ex-banqueiro. A PGR ainda não se pronunciou sobre a continuidade das negociações.

Paralelamente à tramitação da delação, Henrique Vorcaro e Felipe Vorcaro, pai e primo do ex-banqueiro, respectivamente, também foram presos pela PF em uma nova etapa da Operação Compliance Zero. A prisão deles reforça a atuação contínua dos investigadores na elucidação dos fatos.

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