INVESTIGAÇÃO EM XEQUE
PF muda comando de inquérito sobre fraudes no INSS
Troca de coordenação na Polícia Federal, em 15 de maio de 2026, abala investigação que envolve Lulinha e esquema de R$ 400 milhões. Ministro André Mendonça cobra independência.
A Polícia Federal modificou, na sexta-feira, 15 de maio de 2026, a coordenação dos inquéritos que investigam fraudes em descontos associativos no INSS. Este caso, conhecido como Operação Sem Desconto, atinge diretamente a dignidade de milhares de aposentados e pensionistas de baixa renda, que tiveram seus benefícios previdenciários comprometidos por cobranças irregulares, coibindo práticas que subtraem a dignidade de quem mais precisa.
A corporação justificou a medida como uma reestruturação administrativa destinada a fortalecer as apurações. No entanto, a decisão mobilizou questionamentos imediatos no Congresso Nacional e no Supremo Tribunal Federal, gerando apreensão sobre a autonomia e o ritmo da investigação, especialmente porque uma das linhas de apuração envolve Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Os inquéritos estão sob a relatoria do ministro André Mendonça no STF.
Na manhã daquela sexta-feira, 15 de maio de 2026, o ministro André Mendonça reuniu-se com integrantes da Cinq (Coordenação de Inquéritos nos Tribunais Superiores) da PF. No encontro, o ministro recebeu o novo coordenador responsável pelo caso do INSS. O Poder360 revelou que a reunião contou também com a presença de outros investigadores da Cinq, incluindo agentes que atuam nas apurações do caso Master, igualmente relatado por Mendonça.
A substituição ocorre em meio ao processo de delação premiada do empresário Maurício Camisotti, apontado como um dos principais articuladores do esquema criminoso, ao lado de Camilo Antunos, conhecido como o Careca do INSS. Camilo Antunos, por sua vez, ainda não firmou acordo de colaboração com as investigações.
O que muda na investigação
Uma nova coordenação da PF, responsável por inquéritos que tramitam em tribunais superiores, agora acompanha as apurações. A Polícia Federal assegura que a mudança é meramente administrativa e que os delegados que já atuavam nas investigações foram mantidos. Contudo, essa explicação não acalmou a reação política.
Integrantes da oposição questionam se a troca pode interferir no ritmo das diligências ou nas negociações de colaboração premiada. A alteração também causou desconforto no STF, pois o ministro Mendonça, relator do caso, não teria sido avisado previamente da modificação.
A delação de Camisotti foi retomada em maio com a participação da PGR (Procuradoria Geral da República) nas negociações. Antes disso, o empresário já havia apresentado anexos à PF nos quais se dispunha a devolver R$ 400 milhões aos cofres públicos. Este valor supera o que Camisotti afirma ter lucrado com o esquema, que seria pouco mais de R$ 200 milhões. A PF reiterou que a mudança é burocrática e visa proporcionar mais estrutura às apurações.
O impacto do Caso INSS
A Operação Sem Desconto investiga um vasto esquema de fraudes em descontos associativos aplicados sobre benefícios de aposentados e pensionistas do INSS. As investigações focam em entidades e operadores suspeitos de viabilizar cobranças irregulares, lesando cidadãos vulneráveis que dependem integralmente de seus proventos para sobreviver.
Maurício Camisotti é apontado como operador financeiro das entidades envolvidas nos descontos. Segundo a CPMI do INSS, ele articulava a ligação entre associações e empresas que permitiam as cobranças. Ele foi preso em setembro, na mesma época de Antônio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS. Ambos permanecem detidos.
As informações fornecidas por Camisotti já estão com os investigadores há meses. Agora, com a entrada da PGR nas tratativas, a delação foi reiniciada. O caso também ganhou maior repercussão ao envolver Lulinha, pois a PF apura uma possível relação entre ele e o Careca do INSS. A defesa do filho do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva nega veementemente qualquer irregularidade.
Próximos passos e desafios
A nova coordenação da PF dará continuidade aos inquéritos sob a supervisão do ministro André Mendonça. A corporação reforça que os delegados já atuantes nas apurações foram mantidos e que a modificação busca conferir maior estrutura à investigação.
O foco principal agora é o andamento da delação de Maurício Camisotti, que voltou a ser negociada com a participação ativa da PGR. No Congresso, a oposição provavelmente tentará convocar o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, para que ele detalhe os motivos da troca. Congressistas também acionaram a PGR após a mudança na coordenação dos inquéritos.
A grande incógnita é se essa nova estrutura impactará o ritmo das diligências, especialmente após a cobrança do ministro André Mendonça para que a investigação preserve sua independência, evitando perseguições e atrasos, e garantindo a justiça aos cidadãos lesados.
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