DECISÃO AMERICANA ACELERA AÇÃO
PF antecipa Operação Exchange contra esquema financeiro do PCC após sanções dos EUA
Sanções do Departamento do Tesouro dos EUA a brasileiros com supostos laços com o PCC levaram a Polícia Federal a antecipar operação contra lavagem de R$ 10 bilhões. A ação prendeu suspeitos e bloqueou bens.
{"blocks":[{"key":"3v0b2","type":"paragraph","data":{"text":"A Polícia Federal (PF) deflagrou a Operação Exchange para desarticular um núcleo financeiro do PCC, antecipando ações planejadas após sanções impostas pelos Estados Unidos a brasileiros e empresas. A decisão de adiantar a operação, anunciada na quinta-feira, 04/07/2026, visou a prisão de 11 suspeitos e o cumprimento de 13 mandados de busca e apreensão. A medida é crucial para o combate ao crime organizado, impactando diretamente a capacidade de lavagem de dinheiro da facção e a proteção da dignidade coletiva ao desmantelar atividades ilícitas de grande escala."}},{"key":"1o9a8","type":"paragraph","data":{"text":"A ação direcionou o foco a empresários como Stella Stefanie Nunes e Victor Henrique de Oliveira Shimada, os primeiros brasileiros sancionados pelos EUA sob a classificação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas internacionais. De acordo com a PF, as sanções americanas influenciaram diretamente a necessidade de acelerar a operação."}},{"key":"38a76","type":"paragraph","data":{"text":"Shimada é apontado como o principal coordenador logístico de um esquema de lavagem de R$ 10 bilhões. Ele teria estruturado 73 empresas de fachada para ocultar e movimentar os valores provenientes do tráfico de drogas. Stella Stefanie Nunes foi presa, enquanto Shimada permanecia foragido até o fechamento da reportagem. Defesas dos envolvidos não foram localizadas pela reportagem."}},{"key":"a2b1c","type":"paragraph","data":{"text":"Dennis Cali, diretor de Investigação e Combate ao Crime Organizado e à Corrupção da PF, explicou que a investigação e a decisão judicial eram anteriores à classificação do PCC como organização terrorista pelo governo americano. Contudo, a publicação das sanções exigiu o adiantamento da operação por questões operacionais e de identificação de alvos. "Com a divulgação na imprensa (das sanções), a gente adiantou e deflagrou", afirmou Cali."}},{"key":"f5a3e","type":"paragraph","data":{"text":"O diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, classificou a decisão americana de sancionar indivíduos com base em um critério distinto da PF como um "erro grosseiro", argumentando que "são propósitos diferentes, objetivos diferentes e, portanto, estratégias diferentes". Ele ressaltou que a PF tem atuado no combate às facções, mas advertiu que nem todo investigado por lavagem de dinheiro é membro do PCC ou tem vínculo direto com a facção. Rodrigues mencionou que Shimada já havia sido preso preventivamente pela PF em 2024 e condenado em 2025 em uma operação anterior."}},{"key":"c7d89","type":"heading","data":{"text":"PARA ENTENDER","level":3}},{"key":"e9f01","type":"paragraph","data":{"text":"Na quarta-feira, 02/07/2026, o Departamento do Tesouro dos EUA anunciou sanções contra Shimada, Stella, três empresas brasileiras e uma portuguesa, acusando-as de participar de um esquema de lavagem de dinheiro associado ao PCC. Segundo o governo americano, o grupo teria movimentado mais de US$ 30 milhões em recursos do tráfico internacional de drogas."}},{"key":"g1h23","type":"paragraph","data":{"text":"A PF monitorava os suspeitos há semanas e já havia solicitado à Justiça a prisão de Shimada e outros investigados antes da sanção americana. A divulgação das sanções pelos EUA, conforme avaliam os investigadores, prejudicou o trabalho de campo e precipitou a deflagração da operação. As 73 empresas usadas por Shimada foram bloqueadas por decisão do juiz Paulo Cezar Duran, da 7.ª Vara Federal Criminal em São Paulo, que também determinou o bloqueio e sequestro de bens, direitos e valores até R$ 10,3 bilhões."}},{"key":"i4j56","type":"paragraph","data":{"text":"A investigação identificou que Shimada utilizava empresas como Victory Trading Intermediação de Negócios e Hi Quality Importação Comércio e Distribuição Ltda. para movimentar e ocultar recursos do PCC. Análises de relatórios de inteligência financeira e laudos periciais contábeis indicam movimentações financeiras incompatíveis com a capacidade econômica declarada de Shimada. A empresa Hi Quality, sem empregados registrados, foi citada em comunicações que somam R$ 29,3 bilhões. Documentos também apontam o uso de estruturas financeiras para dissimular a origem dos recursos, incluindo uma planilha de controle atribuída a um usuário com apelidos de Shimada, registrando operações em cidades americanas e forte atuação no ramo de criptomoedas."}}]},
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