CONDUTA SOB INVESTIGAÇÃO

Coronel da AOPM facilitava regalias a operadores financeiros do PCC

Homens em evento da AOPM, mencionado na investigação da PF sobre elos com operadores do PCC.
Homens em festa - Metrópoles

Além de liberar acesso a colônias da Polícia Militar de São Paulo, o oficial da reserva teria priorizado a entrada de veículos de luxo em eventos da entidade.

O coronel da reserva Luiz Carlos Pereira Martins, diretor de Colônias e de Patrimônio da Associação dos Oficiais da Polícia Militar de São Paulo (AOPM), teria garantido posições privilegiadas a operadores financeiros suspeitos de prestar serviços ao Primeiro Comando da Capital (PCC). A denúncia, que abala a credibilidade da entidade, aponta que o oficial utilizava seu cargo para reservar vagas de estacionamento e áreas nobres em festas da organização, conforme relatos de associados ouvidos pelo Metrópoles.

A proximidade entre o coronel e os suspeitos ganhou contornos de interesse público após análises da Polícia Federal (PF). Em mensagens obtidas pelos investigadores, o oficial tratava diretamente sobre a entrada de veículos de luxo — incluindo modelos Porsche Cayenne, Panamera e 911 Carrera S — em uma "festa do flashback" promovida pela AOPM.

O impacto dessas decisões na vida dos associados é profundo. Frequentadores da entidade manifestaram temor diante da presença constante de indivíduos investigados por integrar estruturas criminosas. "Eu tenho medo de PCC. PCC mata polícia", desabafou um associado à reportagem, evidenciando o sentimento de insegurança gerado pela exposição da estrutura do clube a operadores financeiros que movimentam valores para o crime organizado.

Além da facilitação em eventos, o oficial é suspeito de abrir as portas das colônias da AOPM para os mesmos operadores. Documentos da PF revelam que, desde 2020, o coronel articulava reservas em Campos do Jordão e Boraceia para Cléber Azevedo dos Santos e outros investigados, que foram alvos de operações como a Janus, deflagrada pelo MPSP. Embora o coronel não tenha sido preso ou formalmente acusado de crimes nas investigações concluídas em novembro de 2024, a conduta levanta sérios questionamentos éticos sobre a administração do patrimônio da associação.

Em nota oficial publicada nesta terça-feira (28/7), a AOPM reconheceu a relação social do diretor com os empresários, defendendo que, na época, não havia suspeitas sobre os mesmos. A Secretaria da Segurança Pública e a PM informaram que a Corregedoria solicitou acesso aos documentos da investigação para apurar eventuais desvios de conduta. O coronel não foi localizado para comentar as acusações até o momento.

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