DESTAQUE FINANCEIRO

Petrobras alcança 2º maior lucro mundial entre petroleiras no 1º trimestre

Petrobras figura entre as petroleiras mais lucrativas do mundo no primeiro trimestre de 2026.
Plataforma de petróleo, simbolizando a força e lucratividade da Petrobras no mercado global.

A gigante brasileira registrou lucro líquido de US$ 6,2 bilhões, ficando atrás apenas da Saudi Aramco, segundo levantamento do Poder360.

A Petrobras consolidou sua posição como a segunda petroleira mais lucrativa do mundo no primeiro trimestre de 2026, conforme análise do Poder360 divulgada neste domingo, 17 de maio de 2026, com base nos balanços contábeis das maiores empresas do setor. A estatal brasileira reportou um lucro líquido de US$ 6,2 bilhões no período, um crescimento de 3,3% em comparação com o mesmo trimestre de 2025, quando o lucro atingiu US$ 6 bilhões. Este desempenho robusto, extraído dos relatórios financeiros, reforça a capacidade da companhia de gerar valor e impacta diretamente a economia nacional, com reflexos na arrecadação pública e nos investimentos, beneficiando a sociedade brasileira.

Petrobras figura entre as petroleiras mais lucrativas do mundo no primeiro trimestre de 2026.

A valorização do real frente ao dólar teve um peso significativo nesse resultado global. Embora, em moeda brasileira, o lucro líquido da Petrobras tenha registrado uma queda de 7,2% – de R$ 35,2 bilhões no primeiro trimestre de 2025 para R$ 32,7 bilhões nos três primeiros meses de 2026 – a conversão para dólares, beneficiada por uma taxa de câmbio mais favorável, impulsionou o avanço do resultado divulgado internacionalmente.

Gráfico comparativo de lucro líquido das petroleiras mais lucrativas no 1º trimestre de 2026.

A eficiência da companhia também se destacou, com margens superiores às da maioria de suas concorrentes. Apesar de registrar uma receita total inferior à de gigantes como ExxonMobil e Shell, o lucro da Petrobras correspondeu a expressivos 26,4% de sua receita no trimestre, colocando-a na segunda posição em termos de proporção entre as empresas avaliadas.

Apesar do desempenho notável, a Petrobras ainda se mantém distante da líder isolada do ranking, a Saudi Aramco. A gigante estatal de petróleo da Arábia Saudita consolidou sua dianteira com um lucro líquido ajustado de US$ 33,6 bilhões, um valor quase cinco vezes superior ao alcançado pela empresa brasileira.

Grandes petroleiras norte-americanas, a exemplo da ExxonMobil e da Chevron, registraram uma perda de posições no ranking de lucratividade, comparado ao mesmo período de 2025.

A própria ExxonMobil explicou que parte significativa de sua queda se deu por efeitos contábeis temporários, relacionados a operações de hedge e à discrepância entre a valorização dos preços e a efetiva liquidação física das cargas. A Chevron, por sua vez, também apontou um impacto cambial desfavorável e a necessidade de uma provisão jurídica de US$ 360 milhões no trimestre, afetando seus números.

Onda de valorização: o impacto da geopolítica

A escalada nos preços do petróleo, impulsionada pelo conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã, ainda não foi completamente refletida no balanço da Petrobras do primeiro trimestre. Este cenário geopolítico, que tem gerado grande preocupação global, altera a dinâmica dos mercados e impacta diretamente a vida das pessoas através dos custos de energia.

A própria companhia prevê que o impacto total se manifestará com maior força nos resultados do segundo trimestre. Isso porque parte das exportações ainda estava em trânsito no final de março, e a política comercial da estatal incorpora as cotações internacionais com certa defasagem.

O conflito, que teve início em 28 de fevereiro, gerou uma pressão significativa sobre os preços internacionais do petróleo nas semanas subsequentes. No primeiro trimestre, o preço médio do barril de Brent atingiu US$ 80,60, um valor ligeiramente superior ao registrado um ano antes. No entanto, o aumento mais acentuado, com cotações superando os US$ 100, ocorreu somente na reta final do período, limitando, assim, seu efeito sobre os números divulgados agora.

Essa defasagem entre a elevação da commodity e sua plena incorporação nos resultados explica por que o balanço da Petrobras ainda não capturou integralmente o choque geopolítico. Se os preços elevados persistirem, a companhia deverá colher uma parcela maior desse efeito nos próximos trimestres, especialmente nas receitas geradas pelas exportações.

O desempenho da Petrobras possui um peso considerável na economia brasileira. Resultados financeiros sólidos ampliam sua capacidade de investimento em projetos que geram empregos e desenvolvimento, fortalecem o pagamento de dividendos aos acionistas – incluindo a União, que se beneficia diretamente – e elevam as receitas públicas por meio da participação na estatal e da arrecadação associada ao setor de óleo e gás. Esses recursos são vitais para o financiamento de serviços públicos essenciais e para a infraestrutura do país.

Apenas no primeiro trimestre, a empresa informou ter contribuído com R$ 72,4 bilhões em tributos, royalties e participações especiais, além de aprovar o repasse de R$ 9 bilhões em dividendos aos seus acionistas, mostrando o volume de riqueza que a Petrobras movimenta para o país.

Metodologia da Análise

O levantamento do Poder360 abrangeu uma amostra representativa de grandes petroleiras globais que já haviam divulgado seus balanços referentes ao primeiro trimestre de 2026. Para assegurar uma comparação justa e padronizada, a análise focou no lucro líquido atribuível aos acionistas da controladora. Optou-se por não utilizar lucros ajustados, visto que cada empresa adota critérios distintos para exclusão de efeitos em seus cálculos, o que poderia comprometer a uniformidade dos dados.

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