ALERTA SAÚDE PÚBLICA

Pesquisas ligam uso de remédios comuns a risco de demência

Medicamentos comuns e o impacto na mente: alerta para o risco de demência
Especialistas recomendam cautela com o uso prolongado de certos medicamentos, especialmente em idosos.

Estudos apontam que anticolinérgicos e antipsicóticos podem aumentar em até 50% as chances. Especialistas da Universidade de Washington e Exeter alertam para o uso prolongado.

Pesquisas recentes acenderam um alerta global, revelando uma possível relação entre o uso contínuo de medicamentos comuns, inclusive vendidos sem receita, e um risco elevado de desenvolver demência. Especialistas de instituições como a Faculdade de Farmácia da Universidade de Washington e a Faculdade de Medicina da Universidade de Exeter apontam que, embora a maioria dos estudos seja observacional, as evidências são suficientes para gerar preocupação sobre o impacto desses fármacos na função cognitiva, especialmente em idosos. Essa descoberta, que ganha destaque nesta quinta-feira, 30 de abril de 2026, é crucial porque afeta a dignidade e a qualidade de vida de milhões de pessoas que dependem desses tratamentos no dia a dia.

Grande parte dessas investigações tem natureza observacional, o que impede a afirmação de uma relação direta de causa e efeito. Contudo, há um consenso entre os especialistas de que existem indícios robustos para considerar potenciais riscos, sobretudo quando o uso se estende por longos períodos ou ocorre de forma inadequada.

Entre os grupos de fármacos mais investigados estão aqueles com ação anticolinérgica, substâncias que interferem na atividade da acetilcolina – um neurotransmissor vital para a memória e a atenção. Essa categoria abrange alguns anti-histamínicos, utilizados tanto para tratar alergias quanto como indutores de sono.

No curto prazo, a ingestão desses medicamentos pode desencadear sonolência e dificuldades cognitivas. Todavia, em um cenário de uso contínuo e prolongado, estudos sugerem um aumento significativo no risco de demência, com estimativas que alcançam cerca de 50%.

Shelly Gray, professora da Faculdade de Farmácia da Universidade de Washington, esclarece: “O uso ocasional de Benadryl dificilmente aumentará o risco de demência.” A especialista enfatiza que a preocupação reside no consumo diário por períodos estendidos.

A Sociedade Americana de Geriatria, inclusive, aconselha idosos a evitarem essa classe de Medicamentos, não só pelo potencial impacto cognitivo, mas também pelo aumento do risco de quedas. Como alternativa, Gray sugere anti-histamínicos de segunda geração, como loratadina e cetirizina, que não possuem atividade anticolinérgica e se mostram opções mais seguras em determinados quadros.

Outro grupo medicamentoso associado a possíveis riscos são os antipsicóticos. Pesquisas indicam que sua utilização pode elevar a probabilidade de desenvolver demência. Adicionalmente, há evidências de que pacientes já diagnosticados com a doença, que usam antipsicóticos para manejar sintomas comportamentais, podem enfrentar um risco maior de mortalidade.

Apesar dessas constatações, especialistas salientam que a decisão sobre o uso de qualquer Medicamento deve sempre levar em conta o contexto clínico individual. David Llewellyn, professor de epidemiologia clínica e saúde digital da Faculdade de Medicina da Universidade de Exeter, na Inglaterra, pondera: “Se as pessoas recebem prescrição desses Medicamentos para tratar uma condição como a esquizofrenia, então devem tomá-los, já que a necessidade imediata de tratamento supera o potencial risco de longo prazo.”

Ele destaca, no entanto, que há uma mobilização crescente para diminuir a prescrição desses fármacos em situações onde possam ser evitados, especialmente no controle de sintomas comportamentais em pacientes com demência. A conscientização e o diálogo com profissionais de saúde são passos essenciais para garantir um tratamento seguro e eficaz.

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