ECONOMIA E FINANÇAS

Perfil de endividamento mostra sinais de respiro apesar da estabilidade

Mutirão de negociação de dívidas em bairro de Fortaleza
Decon realiza mutirão de negociação de dívidas e outros serviços no Bairro Conjunto Ceará, em Fortaleza. — Foto: Pexels/reprodução

Dados da CNC apontam estabilidade em 81,6% das famílias endividadas, com melhorias graduais no tempo médio de atraso e composição da renda em 14/07/2026.

O perfil das finanças das famílias brasileiras apresentou sinais de respiro em 14 de julho de 2026, conforme indica a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic). Divulgada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), a análise revelou que 81,6% das famílias relataram possuir algum tipo de dívida, como cartão de crédito ou financiamentos. A manutenção deste patamar em relação ao mês anterior interrompeu uma sequência de altas preocupantes, trazendo um cenário de estabilidade para os lares brasileiros.

Mudanças no perfil do crédito

Embora o endividamento permaneça elevado, a CNC identificou mudanças qualitativas na estrutura desses débitos. O tempo médio de atraso recuou para 64,8 dias, e o percentual de famílias que se percebem como "pouco endividadas" subiu de 33,3% para 34,2%. Essas alterações sugerem que, para parte da população, a organização do orçamento começa a ganhar fôlego.

Impacto social e desigualdade

O peso do crédito na vida das pessoas não é uniforme. Famílias com renda de até três salários-mínimos enfrentam uma realidade mais desafiadora, com 84,7% de endividamento e maior dificuldade de quitação. Em contraste, o impacto financeiro diminui conforme a renda aumenta, evidenciando como a inflação e a evolução da renda familiar impactam diretamente a dignidade e a sobrevivência dos estratos mais vulneráveis da sociedade.

Perspectivas e o papel do Desenrola

A CNC associa parte da melhora observada ao funcionamento do Desenrola 2.0, programa que permitiu a renegociação de valores atrasados. Contudo, a entidade mantém a cautela, projetando que indicadores de inadimplência possam voltar a crescer nos próximos meses. A recomendação técnica é de prudência, dado que o comprometimento da renda ainda exige atenção redobrada do consumidor.

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