INFRA EM 1 MINUTO
Pedro Rodrigues: baterias precisam de mercado, não de subsídio para viabilizar energia
Especialista do CBIE, Pedro Rodrigues, defende que preço horário e dinâmica de oferta e demanda, e não subsídios, são essenciais para o uso econômico e a viabilidade do armazenamento de energia.
O programa Infra em 1 Minuto, uma parceria do Poder360 com o Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE), apresentou neste sábado, 20 de junho de 2026, uma análise crucial sobre o papel das baterias no sistema elétrico brasileiro. O especialista em óleo e gás, Pedro Rodrigues, sócio do CBIE, alertou que a tecnologia de armazenamento, embora promissora e necessária para a matriz energética do país, não deve depender de subsídios para sua integração e viabilidade a longo prazo.
Em sua 167ª edição, o episódio abordou o primeiro leilão de baterias do Brasil e os desafios para que o armazenamento de energia se torne uma peça efetiva na matriz, sem se tornar uma ilusão baseada em incentivos artificiais. Rodrigues destacou que as baterias possuem limitações práticas: elas fornecem potência por curtos períodos e necessitam de fontes geradoras para serem recarregadas. "Quanto mais baterias a gente instala, mais geração precisa atrás delas", explicou o especialista.
Para ilustrar a escala real do armazenamento, Rodrigues citou os Estados Unidos, que em 2025 registraram um pico histórico com quase 60 GWh de capacidade instalada. No entanto, esse volume representa apenas 2% de toda a geração do parque elétrico norte-americano. A bateria, segundo o especialista, foi concebida para otimizar a capacidade de geração existente, e não para substituí-la.
O debate no Brasil, contudo, ainda carece de um foco maior na criação de um mercado genuíno para a tecnologia. Atualmente, o consumidor com geração solar própria não encontra incentivos econômicos para armazenar a energia produzida durante o dia para uso noturno, visto que a tarifa de energia é uniforme ao longo do dia. A solução apontada por Rodrigues reside na implementação do preço horário.
Com o preço horário, a energia custaria menos nos momentos de maior disponibilidade solar e seria mais cara nos horários de pico de demanda. "Com preço horário, armazenar deixa de ser obrigação de portaria e vira escolha econômica. É o mercado dando o sinal que nenhum subsídio consegue dar", afirmou o sócio do CBIE. Para ele, a dinâmica de oferta e demanda é o verdadeiro motor que garantirá a sustentabilidade do sistema de armazenamento no longo prazo, pois "a bateria não substitui a geração firme. E quem mostra a hora certa de usá-la não é o decreto, é o preço".
O programa Infra em 1 Minuto é publicado semanalmente no canal do Poder360 no YouTube. O público pode se inscrever e ativar as notificações para acompanhar as análises.
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