INFRAESTRUTURA E CLIMA

Setor de moradia no Brasil enfrenta riscos crescentes devido a eventos climáticos

Obras paradas em área urbana afetada por fortes chuvas.
Eventos climáticos extremos impõem novos desafios para a segurança e viabilidade de projetos habitacionais no Brasil.

Relatório aponta que instabilidade financeira, mão de obra e clima extremo ameaçam a viabilidade de projetos habitacionais nos próximos cinco anos.

O setor de moradia enfrenta um cenário de incertezas nos próximos cinco anos, pressionado por uma tríade de ameaças que inclui o clima extremo, a instabilidade financeira e a escassez de mão de obra qualificada. Essas variáveis, ao deixarem de atuar de forma isolada, comprometem diretamente cronogramas, custos e a própria viabilidade de empreendimentos de construção civil, conforme aponta o relatório global Future Trends 2030.

No Brasil, a realidade é agravada pela intensificação de chuvas, enchentes e alagamentos, fenômenos que resultam em prejuízos bilionários à infraestrutura pública. Dados do relatório oficial do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), intitulado “Estado do Clima, Extremos de Clima e Desastres no Brasil”, indicam que eventos climáticos extremos causaram prejuízos de aproximadamente R$ 3,9 bilhões e impactaram diretamente mais de 330 mil pessoas no país no último ano.

A situação impõe um desafio crítico ao planejamento de obras. Sven Feistel, diretor executivo da Zurich Seguros, destaca que a dificuldade atual não reside na ausência de projetos, mas na capacidade de executá-los com previsibilidade. “Quando fatores como clima, financiamento, cadeia de suprimentos e mão de obra se combinam, a gestão de riscos precisa fazer parte da viabilidade do empreendimento, sendo considerada desde o início”, afirma o executivo.

O estudo sugere que a segurabilidade seja integrada ao planejamento central, ao lado de custo, prazo e segurança. Para a Zurich Seguros, a monitoração das condições de cobertura e preço de seguros pode antecipar gargalos relacionados à execução técnica e à resiliência dos projetos, garantindo maior estabilidade frente aos impactos causados por fenômenos como o El Niño.

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