CONSOLIDAÇÃO NA DIREITA

Paraguai sedia Cúpula do Mercosul em cenário de ascensão da direita regional

Imagem genérica de uma reunião diplomática com bandeiras do Mercosul.
Cúpula do Mercosul em Assunção discutiu acordos e parcerias.

Em Assunção, líderes debatem acordo com a UE e novas parcerias comerciais, enquanto outros blocos regionais enfrentam desafios. Lula participa do evento e retorna no mesmo dia para lançamento do Plano Safra.

O Paraguai sediou a 68ª Cúpula do Mercosul em Assunção, nos dias 29 e 30 de maio de 2026. O encontro ocorreu em um contexto de consolidação da onda de direita na região e de expectativa por novos anúncios sobre o acordo com a União Europeia (UE), em vigor desde maio.

A agenda iniciou com a reunião dos ministros de Relações Exteriores em 29 de maio. No dia seguinte, 30 de maio, os presidentes dos Estados parte e associados se reuniram, e o Paraguai transmitiu a Presidência do bloco ao Uruguai.

Participaram da cúpula Javier Milei (Argentina), Yamandú Orsi (Uruguai), Rodrigo Paz (Bolívia), José Antonio Kast (Chile), Daniel Noboa (Equador) e Santiago Peña (Paraguai). O presidente Lula também esteve presente em 30 de maio, retornando ao Brasil no mesmo dia para o lançamento do Plano Safra no Palácio do Planalto às 17h.

A reunião ganhou relevância diante do fortalecimento de governos que demonstram pouca afinidade com outros órgãos regionais, como a União de Nações Sul-Americanas (Unasul) e a Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac). Essa tendência se reflete na ascensão conservadora na América Latina, com vitórias de representantes como Abelardo de la Espriella na Colômbia e o avanço de Keiko Fujimori no Peru.

Embora a agenda de Lula estivesse apertada, especulou-se sobre possíveis reuniões bilaterais, com destaque para o interesse de José Antonio Kast em um encontro com o presidente brasileiro.

O acordo entre Mercosul e UE foi um dos focos principais. Apesar de já estar em vigor, sua aplicação é provisória e aguarda aprovação formal do Tribunal de Justiça e do Parlamento europeu, um processo desafiador devido a divergências internas em alguns países da União Europeia.

O encontro também abriu portas para o avanço em negociações com outras nações. Em 26 de maio, o Reino Unido manifestou interesse em firmar uma parceria comercial com o Mercosul, aproveitando as negociações prévias durante o processo do acordo do bloco com a UE.

Adicionalmente, aguarda-se o anúncio formal do início das negociações para um acordo entre Japão e Mercosul, tema que ganhou destaque após uma reunião entre Lula e a primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, em maio, nas margens da cúpula do G7.

Apesar das complexidades regionais, a relação entre os líderes do bloco tem demonstrado pragmatismo. A relação entre Lula e o presidente chileno José Antonio Kast, inicialmente vista como desafiadora, tem evoluído positivamente, assim como a relação com Javier Milei. Após manifestações anteriores de desinteresse, Milei parece ter reconhecido a importância econômica do Mercosul para a Argentina, acalmando as tensões.

No entanto, o cenário político permanece delicado, especialmente com as eleições presidenciais brasileiras se aproximando em outubro, o que pode gerar novas tensões entre os líderes. A visita do senador Flávio Bolsonaro a Buenos Aires, com planos de encontro com Javier Milei, adiciona outra camada de complexidade política.

É provável que as divergências políticas se manifestem nas declarações finais, uma prática comum em organismos multilaterais. Temas como gênero, direitos reprodutivos e racismo frequentemente geram discordâncias que exigem consenso, resultando em documentos com ressalvas de países, como observado recentemente na 9ª Reunião Ministerial de Zopacas, em abril, onde Javier Milei discordou de um trecho sobre questões raciais.

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