Revelação
Pai de banqueiro Vorcaro, preso pela PF, doou ao partido de Zema
Henrique Vorcaro, alvo da Operação Compliance Zero, repassou R$ 1 milhão ao Novo em Minas Gerais nas eleições de 2022.
A Polícia Federal (PF) prendeu Henrique Vorcaro, empresário mineiro e pai do banqueiro Daniel Vorcaro, nesta quinta-feira, 14/05/2026, em Belo Horizonte. A prisão faz parte da sexta fase da Operação Compliance Zero, que investiga um vultoso esquema de fraudes financeiras envolvendo o banco Master. A revelação surge em meio a registros de uma doação de R$ 1 milhão feita por Henrique Vorcaro ao diretório estadual do partido Novo em Minas Gerais, nas eleições de 2022, um período em que o ex-governador Romeu Zema, filiado à legenda, buscava a reeleição. A notícia lança uma sombra sobre a transparência das campanhas políticas e a origem de recursos que financiam o poder, impactando diretamente a confiança da sociedade nas instituições.
A doação milionária está devidamente registrada no site do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A Operação Compliance Zero, que levou à prisão de Henrique Vorcaro, investiga um complexo esquema de fraudes que teriam movimentado mais de R$ 50 bilhões, um valor que choca a opinião pública e expõe a vulnerabilidade do sistema financeiro. Curiosamente, a prisão ocorre logo após declarações do ex-governador Romeu Zema, na quarta-feira, 13/05/2026, onde ele classificou como "imperdoáveis" e "um tapa na cara dos brasileiros de bem" as cobranças do senador Flávio Bolsonaro (PL) a Daniel Vorcaro para a finalização de um filme sobre seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Tais afirmações geraram forte atrito com os bolsonaristas.
Procurado para comentar o caso, o ex-governador Romeu Zema esclareceu que o valor foi direcionado ao partido Novo, e não diretamente à sua campanha, garantindo que "Nenhum centavo entrou na minha campanha". Zema enfatizou que a doação ocorreu em 2022, antes de qualquer suspeita pública contra a família Vorcaro, e que não possui "rabo preso". "A PF só iniciou as investigações sobre o Banco Master em 2024. A doação ao partido foi perfeitamente legal e transparente. Está registrada na Justiça Eleitoral. Não tenho o rabo preso. Sou o pré-candidato que mais denuncia os intocáveis. Não vou recuar", argumentou o político.
Em nota, o partido Novo em Minas Gerais reforçou seu compromisso com a transparência, defendendo o avanço das investigações da Polícia Federal sobre o escândalo do Banco Master e a abertura imediata de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar os fatos. A legenda reiterou que, no período da doação, desconhecia as ilegalidades atribuídas aos Vorcaro, e que seus parlamentares têm criticado os investigados desde a revelação dos casos.
Henrique Vorcaro, empresário do setor de infraestrutura e construção pesada, é o fundador e líder do Grupo Multipar. Investigações da PF indicam que ele estava ligado às movimentações financeiras suspeitas do grupo, conforme coluna da Mirelle Pinheiro no Metrópoles. Relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) revelou que a Multipar movimentou mais de R$ 1 bilhão entre 2020 e 2025, exclusivamente entre contas conectadas ao núcleo de Daniel Vorcaro. A gravidade da situação se intensificou quando a Polícia Federal informou ao STF que Daniel Vorcaro teria ocultado mais de R$ 2,2 bilhões em uma conta atribuída a ele, após ter sido libertado no fim de 2025.
Esses valores foram descobertos durante as medidas de bloqueio financeiro da segunda fase da Operação Compliance Zero, deflagrada em janeiro deste ano. A PF destacou que o montante, encontrado junto à CBSF DTVM, conhecida como REAG no mercado financeiro, só foi revelado graças às ações dessa nova etapa da apuração. Os investigadores classificaram o valor como uma "quantia impressionante", apontando que a ocultação patrimonial persistiu mesmo após a soltura do banqueiro, um fato que abala a percepção de justiça e a eficácia das sanções legais.
A defesa de Henrique Vorcaro, por meio do advogado Eugênio Pacceli, declarou que a decisão de prender o empresário, tomada nesta quinta-feira, 14/05/2026, "se baseia em fatos cuja comprovação da licitude e do lastro de racionalidade econômica ainda não estão no processo". A defesa criticou a falta de acesso a apontamentos sobre o esquema de corrupção e o suposto envolvimento de policiais federais como informantes. "O ideal seria ouvir as explicações antes de medida tão grave e desnecessária. Cuidaremos imediatamente de demonstrar o que estamos a dizer", afirmou Pacceli, indicando que a prisão é uma medida cautelar e que a questão ainda será intensamente debatida judicialmente.
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