ALERTA MUNDIAL
Organização Mundial da Saúde declara emergência internacional para surto de ebola
Surto de vírus Bundibugyo na República Democrática do Congo e Uganda é considerado de importância em saúde pública. Medidas de controle e prevenção são reforçadas.
Na quarta-feira, 20/05/2026, a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou emergência de saúde pública de importância internacional para o surto de ebola causado pelo vírus Bundibugyo, após consulta com os Estados-Membros da República Democrática do Congo (RDC) e Uganda. A decisão foi tomada em resposta à alta mortalidade registrada e à confirmação da circulação do vírus, impactando diretamente a dignidade e a segurança das populações afetadas.
O alerta inicial surgiu no início de maio, quando autoridades sanitárias da RDC identificaram uma doença desconhecida e de alta letalidade no município de Mongbwalu, província de Ituri, com mortes confirmadas entre profissionais de saúde. Aproximadamente 10 dias depois, o Instituto Nacional de Pesquisa Biomédica em Kinshasa confirmou a presença do vírus Bundibugyo, um tipo de ebola, em amostras de sangue coletadas no distrito de Rwampara. Na sexta-feira, 15 de maio de 2026, o Ministério da Saúde Pública, Higiene e Bem-Estar Social da RDC oficializou o 17º surto de ebola no país. No dia seguinte, o Ministério da Saúde de Uganda confirmou um caso importado, de um congolês que faleceu na capital, Kampala, evidenciando a rápida disseminação transfronteiriça.
A Doença e Seus Impactos
O ebola, classificado pela OMS como grave e frequentemente fatal, é transmitido de animais selvagens para humanos e, posteriormente, entre pessoas por contato direto com fluidos corporais de infectados, incluindo sangue e secreções. O contágio pode ocorrer também por meio de superfícies e materiais contaminados. A taxa média de letalidade da doença é de 50%, podendo atingir 90% em surtos anteriores, um dado que ressalta a urgência e a gravidade da situação e o impacto na vida das pessoas.
O período de incubação varia de dois a 21 dias. Os sintomas iniciais, como febre, fadiga e dores musculares, podem evoluir para vômitos, diarreia e sangramentos, dificultando o diagnóstico diferencial com outras doenças. Para garantir o controle do surto, a OMS enfatiza a importância do engajamento comunitário, intervenções como assistência clínica, vigilância e rastreamento de contatos, controle de infecções em unidades de saúde, e sepultamentos seguros, visando proteger a dignidade dos falecidos e de seus familiares.
Medidas de Enfrentamento e Prevenção
As respostas ao surto incluem o envio de equipes de resposta rápida, fornecimento de suprimentos médicos e reforço na vigilância e confirmação laboratorial. O tratamento intensivo precoce, a reidratação e o manejo de sintomas melhoram a sobrevida. Para a Doença do Vírus Ebola (DEV), há vacinas aprovadas como a Ervebo e a combinação Zabdeno e Mvabea, recomendadas para controle de surtos. No entanto, para outras cepas como o vírus Bundibugyo, terapias específicas ainda não são aprovadas.
A OMS reforça que não recomenda o tratamento domiciliar e orienta que pessoas com sintomas busquem atendimento em centros de saúde. Em caso de óbito suspeito, é crucial o contato com as autoridades de saúde locais para garantir um sepultamento seguro e digno. A organização não impõe restrições comerciais ou de circulação, mas aconselha a minimização de viagens para indivíduos em contato com casos de ebola, com acompanhamento das autoridades de saúde pública.
Surtos Anteriores e a Gravidade da Doença
O surto ocorrido entre 2014 e 2016 na África Ocidental, que começou na Guiné e se espalhou para Serra Leoa e Libéria, é considerado o maior e mais complexo desde a descoberta do vírus em 1976. A experiência desses eventos passados reforça a necessidade de vigilância constante e resposta rápida para mitigar o impacto humano e social dos surtos de ebola.
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