ESCADA SOCIAL

Oposição propõe transição de 10 anos para fim da escala 6x1, governo rejeita

Foto de uma reunião em uma comissão especial da Câmara dos Deputados.
Comissão Especial da Câmara discute o fim da escala 6x1.

Emenda busca flexibilizar jornada de trabalho, mas enfrenta resistência do Executivo. Proposta permite acordos para jornadas mais longas em troca de benefícios fiscais para empresas.

Em uma tentativa de influenciar o debate sobre a jornada de trabalho, deputados da oposição apresentaram nesta quarta-feira, 20/05/2026, uma emenda que propõe um período de transição de 10 anos para o fim da escala 6x1. A proposta visa estabelecer novas regras para a carga horária semanal, mas encontra forte oposição do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

A iniciativa, liderada pelo deputado Sérgio Turra (PP-RS), busca condicionar o apoio da oposição a uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) em análise na Câmara. A emenda já conta com 176 assinaturas, superando as 171 necessárias para sua formalização. A intenção é dar um prazo maior para a adaptação, evitando impactos abruptos no mercado de trabalho e nas empresas.

Pela proposta da oposição, o limite de 44 horas semanais seria mantido até que projetos de lei complementares definam regras específicas para setores considerados essenciais. Somente após essa regulamentação, a carga horária seria gradualmente reduzida para 40 horas semanais, com conclusão prevista para 2036. Um ponto relevante da emenda é a possibilidade de jornadas mais extensas, com até 52 horas semanais, mediante acordo individual ou sindical, o que poderia chegar a um aumento de 30%.

Em contrapartida ao setor produtivo, a emenda prevê benefícios como a redução pela metade da contribuição patronal ao Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), isenção temporária da contribuição previdenciária para novos contratados e deduções no Imposto de Renda e na Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) relativas a despesas com a criação de novos postos de trabalho. Segundo a justificativa de Turra, o objetivo é garantir uma implementação escalonada, segurança jurídica e mecanismos de adaptação, evitando a informalização e a litigiosidade.

A deputada Erika Hilton (PSOL-SP), autora de uma PEC apensada à proposta em discussão, criticou veementemente a emenda da oposição. Em suas redes sociais, Hilton classificou a medida como um "ataque aos trabalhadores" e acusou o texto de "impedir o fim da escala 6x1 até 2036", divulgando a lista dos parlamentares que assinaram a emenda.

O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), indicou que ainda não há consenso sobre o modelo de transição para o fim da escala 6x1. As negociações envolvem duas alternativas principais: uma transição de cinco anos sem pagamento de horas extras ou um prazo mais curto, entre dois e três anos, possibilidade que o governo Lula passou a admitir. A proposta de dez anos da oposição não foi mencionada por Motta.

A falta de acordo impactou o cronograma da Comissão Especial. A leitura do relatório do deputado Leo Prates (Republicanos-BA), originalmente agendada para esta quarta-feira (20), foi adiada para a próxima segunda-feira (25). A medida visa dar mais tempo para a discussão com os setores envolvidos. Há um acordo preliminar em torno da mudança para a escala 5x2, com dois dias de folga semanais e sem redução salarial. Motta mantém a expectativa de votação na próxima semana, com conclusão dos trabalhos da comissão até 28 de maio.

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