PODERES EM CHOQUE
Oposição acusa STF de ameaçar Congresso
Tensão explode após Gilmar Mendes criticar CPI que pedia indiciamento de magistrados; deputados convocam marcha ao Supremo.
Deputados da oposição ao governo federal intensificaram o embate com o Supremo Tribunal Federal (STF) nesta quarta-feira, 15 de abril de 2026, ao acusarem ministros da Corte de “ameaçar” o Poder Legislativo. A tensão explodiu após as declarações contundentes de Gilmar Mendes e Dias Toffoli, proferidas na terça-feira, 14 de abril, em resposta a um relatório da CPI do Crime Organizado que pedia o indiciamento de magistrados do próprio STF. Este confronto direto não apenas coloca em xeque a harmonia entre os Poderes, mas também levanta sérias preocupações sobre a autonomia parlamentar e a saúde democrática do país.
O documento da Comissão Parlamentar de Inquérito, elaborado pelo senador Alessandro Vieira (MDB-SE), propunha o indiciamento de integrantes do STF, gerando uma reação incisiva dos ministros. Gilmar Mendes, em uma fala que reverberou pelo Congresso, afirmou que não deveria ser “chamado para dançar”, pois “sabia dançar”. Congressistas imediatamente interpretaram a declaração como uma intimidação direta à prerrogativa constitucional de investigação do Legislativo.
Cabo Gilberto (PL-PB), líder da Oposição na Câmara, classificou as declarações dos ministros como inaceitáveis em qualquer democracia que preze pela independência entre os Poderes. Segundo o deputado, a fala representa uma tentativa de amordaçar o Congresso Nacional e, mais grave, ameaça a elegibilidade de um senador da República por simplesmente cumprir seu dever de relator em uma comissão parlamentar. Este cenário, argumentam os opositores, mina a capacidade de fiscalização do Parlamento e a própria dignidade do mandato popular.
Em um ato de retaliação e simbolismo, o grupo de deputados convocou uma caminhada até a sede do Supremo Tribunal Federal. A iniciativa busca isolar o que chamam de “ala política” da Corte, mirando um diálogo com ministros percebidos como mais técnicos ou alinhados a uma visão garantista das competências constitucionais do Poder Legislativo. O objetivo é reafirmar a autonomia do Congresso e proteger a integridade de suas investigações.
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