FAUNA SILVESTRE EM APUROS

Operação Voo Livre resgata 95 aves silvestres e aplica R$ 400 mil em multas no Paraná

Aves silvestres resgatadas em operação de fiscalização no Paraná.
Fiscalização resgata 95 aves, aplica R$ 400 mil em multas e prende criador por maus-tratos — Foto: PMPR

Ação em Guarapuava resultou em multas milionárias e prisão de criador por maus-tratos. As aves resgatadas foram encaminhadas para reabilitação ou soltura na natureza.

Uma operação de fiscalização batizada de "Voo Livre" desarticulou, entre a segunda-feira (15) e a quinta-feira (18) de junho de 2026, um esquema de criação irregular de aves silvestres em Guarapuava, na região central do Paraná. A ação, que inspecionou 40 criadores amadores de passeriformes, resultou no resgate de 95 aves, na aplicação de R$ 400,7 mil em multas e na prisão em flagrante de um indivíduo por maus-tratos.

A iniciativa teve como objetivo principal a verificação da legalidade na manutenção de aves silvestres em cativeiro. Durante as vistorias, agentes da Polícia Militar Ambiental e do Instituto Água e Terra (IAT) constataram diversas irregularidades, muitas delas chocantes, que atentavam contra a dignidade dos animais. A descoberta mais grave ocorreu na residência de um criador amador, onde aves eram mantidas em condições deploráveis de higiene. Carcaças de animais mortos, em diferentes estágios de decomposição, dividiam o mesmo espaço com aves vivas, configurando graves crimes de maus-tratos contra a fauna silvestre.

As 95 aves resgatadas foram encaminhadas para destinos distintos, priorizando seu bem-estar e reintegração. Vinte e cinco delas foram imediatamente devolvidas à natureza, retornando ao seu habitat. Outras 11 receberam cuidados no Centro de Triagem e Reabilitação de Animais Silvestres (Cetras) para avaliação e recuperação. As demais aves ficaram sob a responsabilidade do IAT, que dará continuidade ao processo de destinação.

A coordenadora de Fiscalização do Escritório Regional do IAT em Guarapuava, Caroline Rech, ressaltou a importância vital dessas ações. "Além de garantir o cumprimento da legislação ambiental, essas ações fortalecem a proteção da biodiversidade, promovem a rastreabilidade dos animais e contribuem para a conservação das populações naturais de aves silvestres", explicou. A manutenção irregular de animais silvestres em cativeiro e os maus-tratos geram impactos ambientais significativos, prejudicando a reprodução de espécies, a dispersão de sementes e o equilíbrio ecológico, afetando diretamente a saúde do planeta.

Passeriformes, como sabiás e canários, são pássaros de canto. Criadores amadores podem reproduzir e trocar esses animais, além de participar de torneios, mas a comercialização é proibida. Para mantê-los em cativeiro, é obrigatório que sejam nativos, anilhados (identificados individualmente) e que os dados sejam atualizados no Sistema de Controle e Monitoramento da Atividade de Criação Amadora de Pássaros (SisPass). Em caso de impossibilidade de cuidado, as aves podem ser transferidas para outros criadores cadastrados ou devolvidas ao IAT.

O criador preso, morador do Distrito de Guará, foi detido na terça-feira (17). Três aves sobreviventes – um pássaro-preto e dois pintassilgos – foram resgatadas de sua residência e encaminhadas ao CETRAS/UNICENTRO para atendimento veterinário. A polícia também apreendeu apetrechos usados na captura ilegal de aves silvestres. O indivíduo foi autuado em flagrante pelos crimes de maus-tratos e captura de animais silvestres.

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