DINHEIRO OCULTO EM LIXO

Operação Última Parada: Polícia Civil encontra R$ 65 mil em saco de lixo durante ação contra o PCC

Polícia encontra R$ 65 mil em saco de lixo durante operação contra PCC.
Dinheiro em espécie foi encontrado escondido em sacos de lixo durante a Operação Última Parada.

Ação da Polícia Civil e Ministério Público de SP desmantela esquema de lavagem de dinheiro do PCC usando empresa de transporte público. Vereador e cúpula da Transunião são alvos.

Investigadores encontraram R$ 65 mil em espécie escondidos em sacos de lixo nesta quinta-feira, 25/06/2026, durante a Operação Última Parada. A ação, deflagrada pela Polícia Civil e pelo Ministério Público de São Paulo, desarticulou um esquema que utilizava uma empresa de transporte público para ocultar e movimentar recursos ilícitos em uma operação de lavagem de dinheiro atribuída ao Primeiro Comando da Capital (PCC). O vereador de São Paulo Senival Moura (PT) foi preso na operação.

Vídeos obtidos pela reportagem revelam um momento peculiar: um dos investigados, identificado como Devanil de Souza Nascimento, conhecido como “Sapo”, subiu uma escada doméstica para resgatar o saco de lixo que continha o dinheiro, escondido sobre um móvel. Sapo é apontado como operador e suporte direto do vereador Senival Moura.

Além do vereador Senival Moura, a operação mira integrantes do PCC e membros da alta gestão da concessionária de ônibus Transunião. Foram cumpridos cinco mandados de prisão e 104 mandados de busca e apreensão em diversas localidades, incluindo a capital paulista, a Grande São Paulo, o interior do estado e a cidade de Extrema, em Minas Gerais. Lourival de França Monário, presidente da Transunião, está entre os detidos.

A investigação por trás do esquema

As investigações tiveram início em 2020, após o assassinato de Adauto Soares Jorge, então presidente da Transunião. A partir da apuração desse crime, policiais do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic) e promotores do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) reuniram evidências de que membros do PCC passaram a ter influência direta na administração da empresa. Descobriu-se um núcleo paralelo responsável por decisões estratégicas e pela movimentação de fundos para integrantes da organização criminosa.

As apurações indicam também uma alteração substancial na estrutura societária da Transunião, incompatível com sua realidade financeira. O capital social da empresa disparou de pouco mais de R$ 100 mil para mais de R$ 50 milhões, sem que a origem dos recursos fosse devidamente justificada. Em 2025, a Transunião recebeu mais de R$ 300 milhões do sistema municipal de transporte coletivo, recursos que, segundo os investigadores, teriam sido utilizados para dar aparência de legalidade a fundos provenientes do crime organizado.

Bloqueio judicial e apreensões

Por determinação judicial, foram bloqueados até R$ 194 milhões em contas bancárias de investigados e da concessionária. A Justiça também determinou a indisponibilidade de 117 veículos, 21 imóveis e três embarcações. Adicionalmente, a diretoria da Transunião foi afastada e a Prefeitura de São Paulo foi comunicada para que tome as medidas cabíveis, incluindo possível intervenção administrativa, visando garantir a continuidade do serviço essencial de transporte público.

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