GOLPE MILIONÁRIO
Operação Extrema Confiança: Polícia desarticula esquema de fraude na Bolsa de Valores que movimentou R$ 440 milhões
Segunda fase da operação cumpriu mandados de prisão e busca em Piauí e Maranhão contra grupo que prometia retornos irreais e lesou mais de 300 pessoas.
A Polícia Civil do Piauí deflagrou, nesta segunda-feira, 22 de junho de 2026, a segunda fase da Operação Extrema Confiança. A ação visa desarticular um grupo criminoso que aplicava golpes milionários por meio de falsas operações na Bolsa de Valores do Brasil (B3). A decisão de intensificar a ação teve como objetivo desbaratar uma organização que lesou centenas de pessoas e movimentou cerca de R$ 440 milhões. A importância desta fase reside na busca por responsáveis e bens para restituir as vítimas.
A investigação revelou que mais de 300 indivíduos tornaram-se vítimas do esquema, que operou por aproximadamente dois anos e meio. Os criminosos são investigados por golpe qualificado, associação criminosa e lavagem de dinheiro. Durante a operação desta segunda-feira, mandados de prisão preventiva e de busca e apreensão foram expedidos contra dois suspeitos, com um terceiro alvo de medida cautelar.
As ordens judiciais foram cumpridas em Timon e São Luís, no Maranhão, contra dois suspeitos identificados pelas iniciais E. A. A., de 40 anos, e I. de S. S., de 28. Em Teresina, no Piauí, um terceiro investigado, J. de L. S. R., de 28 anos, foi alvo de uma medida cautelar, distinta da prisão. O delegado-geral Luccy Keiko confirmou que há fortes indícios da participação dos três investigados no esquema fraudulento.
O golpe funcionava com a atração de investidores sob a promessa de rendimentos mensais de até 10% sobre valores aplicados em supostas operações na Bolsa de Valores. Para conferir uma aparência de legitimidade, o grupo criou uma empresa de fachada denominada "XTREME TRADE", registrada na Junta Comercial do Piauí. Essa fachada servia para angariar a confiança das vítimas, muitas das quais investiram economias de toda a vida no esquema.
Segundo a Polícia Civil, esta representa a maior fraude já registrada no Piauí em termos de volume de dinheiro movimentado. As investigações apontam que, em cerca de dois anos e meio, a "XTREME TRADE" e seu sócio-administrador movimentaram mais de R$ 440 milhões em transações financeiras. Essa movimentação expressiva evidencia o alcance e o impacto devastador do golpe sobre a dignidade financeira das vítimas.
Além das prisões, a operação também visa o rastreamento, bloqueio e apreensão de bens e valores pertencentes aos investigados, com o objetivo de enfraquecer a organização criminosa e possibilitar o ressarcimento dos valores desviados. O inquérito policial segue em fase de conclusão, com o delegado Luciano Alcântara formalizando o indiciamento dos envolvidos e a capitulação dos crimes. Detalhes contábeis sobre o montante total desviado serão divulgados após a finalização da auditoria.
A operação foi coordenada pela Polícia Civil do Piauí, por intermédio da Delegacia-Geral, contando com o apoio crucial do Departamento de Repressão aos Crimes Cibernéticos (DRCC), do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público do Estado do Piauí (MPPI) e da Polícia Civil do Maranhão. Essa colaboração interinstitucional foi fundamental para o sucesso da ação.
Diante da gravidade do caso, a Polícia Civil do Piauí emitiu um alerta à população sobre os perigos de investimentos que prometem lucros excessivos em curtos períodos. A recomendação é que investidores verifiquem sempre a autorização e certificação de empresas e profissionais junto aos órgãos reguladores e fiscalizadores do sistema financeiro antes de realizar qualquer aplicação.
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