EBOLA SE ESPALHA
OMS África alerta para risco de propagação do Ebola; casos já em Uganda
Diretor regional da OMS para a África enfatiza a necessidade de atenção global ao surto, que já registrou 177 mortes e quase 750 casos suspeitos na RD Congo.
Seria um erro subestimar o risco representado pelo surto de Ebola, alertou o diretor regional da OMS para a África nesta sexta-feira, 22/05/2026. A Organização Mundial da Saúde (OMS) enfatiza que a disseminação do vírus para além da República Democrática do Congo e de Uganda é uma preocupação real, com potencial para afetar outros países com apenas um caso. Até o momento, o surto na RD Congo já contabiliza pelo menos 177 mortes e quase 750 casos suspeitos. Dois casos foram confirmados na vizinha Uganda, elevando a preocupação internacional. A cepa Bundibugyo, específica deste surto, agrava a situação por não possuir uma vacina disponível, ressaltou Mohamed Yakub Janabi, em Genebra. "Seria um grande erro subestimá-lo, especialmente com um vírus com essa cepa, Bundibugyo, (para a qual) não temos a vacina", declarou Janabi. Ele apelou por cooperação global para controlar a doença: "Portanto, eu realmente encorajaria a todos, vamos ajudar uns aos outros, podemos controlar isso." Janabi lamentou a menor atenção global dedicada ao surto de Ebola em comparação com outras emergências recentes, como a de hantavírus. "Basta um caso de contato para colocar todos nós em risco, portanto, meu desejo e minha oração são para que consigamos dar (ao Ebola) a atenção que ele merece", afirmou. O Ebola é uma doença viral frequentemente fatal, transmitida por contato direto com fluidos corporais de pessoas infectadas, materiais contaminados ou corpos de falecidos. Os sintomas incluem febre alta, dores intensas no corpo, vômitos e diarreia. O primeiro caso suspeito conhecido surgiu em 24 de abril com um profissional de saúde, que faleceu em um centro médico em Bunia, capital da província de Ituri. Em 5 de maio, a OMS foi alertada sobre uma doença desconhecida com alta mortalidade na região. Após investigação, o surto foi confirmado como vírus Bundibugyo em 15 de maio. Jeremy Konyndyk, especialista em resposta a desastres e ex-líder do combate à Covid na USAID, apontou que várias "gerações de transmissão" podem ter ocorrido despercebidas antes da confirmação, o que representa um "grande problema". No domingo, 17 de maio, o órgão de saúde da ONU declarou a epidemia uma "emergência de saúde pública de importância internacional". O aumento de casos e mortes, aliado à alta taxa de positividade, indicam um surto com potencial de expansão considerável. Tedros Adhanon, diretor-geral da OMS, destacou que esta é a primeira vez que declara uma emergência dessa magnitude antes mesmo de convocar o comitê específico para avaliação, que ocorreu na terça-feira, 19 de maio. Anne Ancia, representante da OMS na RD Congo, confirmou na terça-feira a propagação do surto para a província de Kivu do Norte, que compartilha fronteira com Ituri. No entanto, ela ressaltou que ainda há "incerteza significativa" sobre o número exato de infecções.
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