ALERTA CLIMÁTICO
OMM: América Latina e Caribe aquecem como nunca
Região registra ritmo mais rápido de aquecimento desde 1900, com ondas de calor, secas e elevação do mar.
A Organização Meteorológica Mundial (OMM), agência da ONU, revelou nesta segunda-feira, 18 de maio de 2026, que a América Latina e o Caribe registram o ritmo mais acelerado de aquecimento desde o início das medições em 1900. O relatório anual "Estado do Clima na América Latina e no Caribe" aponta um cenário alarmante, com impactos crescentes na saúde pública e na segurança hídrica da população, exigindo ações urgentes para proteger a dignidade de milhões de pessoas frente às severas consequências climáticas.
O documento, lançado em Brasília, no auditório Olacyr de Moraes, no Ministério da Agricultura e Pecuária, detalha que o período mais recente, de 1991 a 2025, é disparadamente o mais quente em 125 anos de medições. Na América do Sul, as temperaturas sobem 0,26°C por década, e na América Central e no Caribe, 0,25°C. O México lidera o ranking, com um aquecimento de 0,34°C por década, mais do que o triplo do ritmo observado entre 1961 e 1990.
"Os sinais de um clima em transformação são inequívocos em toda a América Latina e o Caribe", afirmou Celeste Saulo, secretária-geral da OMM, em comunicado. Ela destacou a perda acelerada de geleiras, a elevação do nível do mar, a intensificação rápida dos ciclones tropicais, o calor extremo, as enchentes e as secas como manifestações dessa crise climática.
Em 2025, ondas de calor com temperaturas acima de 40°C atingiram grandes áreas das Américas do Norte, Central e do Sul. A temperatura média da superfície na região ficou +0.40ºC acima da média global, classificando-se entre a quinta e a oitava mais alta já registrada.
O calor extremo vem se tornando um problema crescente de saúde pública. A OMM estima cerca de 13 mil mortes por ano associadas ao calor, em uma média de 17 países entre 2012 e 2021. O próprio relatório admite que este número está subestimado, pois a maioria dos países não publica sistematicamente dados sobre mortes diretamente causadas pelo calor. A agência da ONU apela por uma produção regular e integrada dessas informações aos sistemas de alerta meteorológico, essenciais para a proteção da vida humana.
O comportamento das chuvas também se transformou de forma desigual no continente. Na média das últimas cinco décadas, os períodos secos ficaram mais longos e os episódios de chuva, mais intensos. No Brasil, o Sul registra aumento na chuva anual e enchentes mais frequentes, estendendo-se pelo Uruguai e norte da Argentina. Por outro lado, o Nordeste e o Chile central, além de partes da América Central, enfrentam períodos de maior aridez.
Na Amazônia, o quadro é misto, com estações secas mais longas e chuvas mais intensas quando ocorrem. Secas também se tornaram mais frequentes no sul e no leste da floresta. O ano de 2025 trouxe episódios graves: mais de 110 mil pessoas foram atingidas por enchentes no Peru e no Equador em março. No México, chuvas em outubro deixaram 83 mortos, e junho foi o mês mais chuvoso já registrado, embora a seca tenha chegado a cobrir 85% do território no auge da estiagem, com grave falta de água em lavouras e reservatórios.
A América Latina concentra 8,8% do litoral do mundo, e os oceanos vizinhos também sofrem. Em 2025, o pH da superfície do mar atingiu o nível mais baixo já registrado em grandes áreas do Atlântico e do Pacífico próximos à região, um processo de acidificação causado pela absorção do gás carbônico. Ondas de calor marinhas extremas no Golfo do México, no mar do Caribe e na costa chilena impactaram corais, peixes e a pesca, ameaçando ecossistemas e meios de subsistência. O nível do mar, por sua vez, subiu mais rápido que a média global em trechos do Atlântico tropical e do Caribe, aumentando a vulnerabilidade das comunidades costeiras e a urgência de medidas adaptativas.
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