ALERTA CLIMÁTICO GLOBAL

Oceanos se aproximam de calor recorde em maio com o retorno do El Niño

Veleiro no Oceano Mediterrâneo, perto de Roquebrune-Cap-Martin, França
Veleiro no Oceano Mediterrâneo, a partir de Roquebrune-Cap-Martin, no sudeste da França, em 9 de abril de 2026 — Foto: VALERY HACHE / AFP

Observatório europeu Copernicus alerta para a iminente superação de temperaturas na superfície dos mares, projetando 2027 como o ano mais quente já registrado.

Conforme alerta emitido nesta sexta-feira, 08/05/2026, pelo observatório climático europeu Copernicus, os oceanos globais se encaminham para registrar temperaturas recordes no mês de maio. Essa escalada ocorre em um momento crítico, com o forte retorno do fenômeno El Niño se desenhando, o que acende um sinal de alerta para consequências climáticas de grande impacto ao redor do mundo.

O relatório mensal do Copernicus revelou que, em abril, as temperaturas médias na superfície dos mares, desconsiderando as regiões polares, já se aproximavam do recorde absoluto observado em 2024. Este patamar elevado prepara o cenário para os desafios que se avizinham.

"É apenas uma questão de dias para que voltemos a registrar temperaturas recordes na superfície dos mares para um mês de maio", afirmou à AFP Samantha Burgess, responsável estratégica de clima no Centro Europeu de Previsões Meteorológicas de Médio Prazo, integrante do Copernicus. A declaração sublinha a urgência e a gravidade da situação.

Historicamente, março figura como o mês mais quente para os oceanos em termos de média global. A superação desse padrão em maio indica uma anomalia climática preocupante.

Atualmente, ondas de calor marinhas sem precedentes se espalham por uma vasta área, abrangendo desde o centro do Pacífico equatorial até as costas oeste dos Estados Unidos e do México, alterando ecossistemas e afetando comunidades litorâneas.

O El Niño, um fenômeno natural do ciclo do Oceano Pacífico que geralmente se inicia na primavera do hemisfério norte, tem a capacidade de remodelar temperaturas, ventos e padrões climáticos em escala global nos meses subsequentes. Sua influência é abrangente e impacta diretamente a vida de milhões.

As projeções indicam que sua manifestação se traduzirá em consequências distintas e muitas vezes devastadoras: algumas regiões, como a Indonésia, enfrentarão secas severas que ameaçam a agricultura e o abastecimento de água, enquanto outras, a exemplo do Peru, deverão se preparar para chuvas torrenciais capazes de causar inundações e deslizamentos.

Após seu último episódio entre 2023 e 2024, a Organização Meteorológica Mundial (OMM) já advertia sobre a crescente probabilidade do retorno do El Niño entre maio e julho, à medida que o fenômeno oposto, La Niña, perde força. Embora haja incertezas, a preparação é crucial.

Essas previsões são fundamentadas em rigorosas observações das temperaturas superficiais em uma área estratégica do Pacífico, garantindo a precisão dos alertas emitidos.

Um questionamento surge com força: será 2027 um ano de recordes climáticos?

A grande preocupação reside no fato de que o El Niño, apesar de ser um fenômeno natural e cíclico, tem seus efeitos potencializados pelo aquecimento global, uma consequência direta das atividades humanas que intensificam o efeito estufa. Esta combinação amplifica os riscos e a severidade dos eventos climáticos extremos.

Há previsões de algumas agências meteorológicas de que o próximo El Niño poderá ser mais intenso que o observado três anos antes, rivalizando até mesmo com o "Super El Niño" que marcou os anos de 1997 e 1998, um período de impactos globais significativos.

Geralmente, o impacto total do El Niño na temperatura média global manifesta-se no ano subsequente ao seu surgimento, gerando um temor justificado de que 2027 venha a ser um ano excepcionalmente quente.

Zeke Hausfather, renomado meteorologista do instituto independente Berkeley Earth, projeta com base em seus estudos que 2027 superará o recorde anual de 2024, consolidando-se como o ano mais quente da série histórica.

Embora Samantha Burgess, do Copernicus, ressalte que a intensidade exata do fenômeno ainda é incerta devido à fase inicial das previsões de primavera, ela concorda que este El Niño terá um impacto notável. Burgess considera "provável que 2027 supere 2024 e se torne o ano mais quente já registrado", reiterando a gravidade da projeção.

O boletim mensal do Copernicus também trouxe uma confirmação preocupante: o gelo marinho do Ártico teve uma recuperação mínima durante o inverno no hemisfério norte, com suas superfícies permanecendo próximas aos níveis mais baixos já documentados. Este cenário afeta diretamente ecossistemas polares e contribui para a elevação do nível do mar.

Ao considerar a soma das temperaturas de oceanos e continentes, abril de 2026 se posiciona como o terceiro mês de abril mais quente já registrado em escala global, evidenciando uma tendência alarmante de aquecimento planetário.

Além disso, abril de 2026 foi um mês marcado por uma série de fenômenos meteorológicos extremos: ciclones tropicais no Pacífico, inundações devastadoras que assolaram o Oriente Médio e a Ásia, e secas prolongadas no sul da África, eventos que exemplificam a crescente instabilidade climática e o sofrimento humano associado.

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