ENVELHECIMENTO POPULACIONAL EM FOCO
Número de médicos geriatras cresce quase 380% em 14 anos no Brasil
Especialidade registrou alta de 378,4% entre 2011 e 2024, mas ainda faltam profissionais para atender a demanda crescente de idosos no país.
O número de médicos geriatras no Brasil expandiu quase 380% entre 2011 e 2024, passando de 662 para mais de 3 mil profissionais com título de especialista. A decisão de intensificar a formação nessa área reflete o acelerado envelhecimento populacional do país, que já em 2023 viu os idosos deixarem de ser a menor fatia demográfica, representando 15,6% da população. A expansão da especialidade, que tem como foco a saúde de pessoas idosas, é crucial para garantir dignidade e qualidade de vida à medida que a população com 60 anos ou mais – atualmente 32,1 milhões de pessoas – continua a crescer e, segundo projeções, se tornará maioria em duas décadas.
Essa transformação demográfica, evidenciada pelos dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), impõe novos desafios à saúde pública. O aumento de 56% na população idosa desde o Censo de 2010 sinaliza a urgência em prover cuidados especializados. A boa notícia é que a resposta do setor médico tem sido crescente: a especialidade registrou um aumento de 378,4% entre os anos de 2011 e 2024, conforme a Demografia Médica, publicação do CFM (Conselho Federal de Medicina) e da USP (Universidade de São Paulo). O país conta hoje com aproximadamente 1,49 especialista por 100 mil habitantes, um avanço significativo, embora ainda abaixo do ideal para atender à demanda.
A predominância feminina na geriatria é notável, com 62,1% de mulheres contra 37,9% de homens. Em termos regionais, a região Sudeste concentra a maior parte dos especialistas (58,1%), seguida pelo Nordeste (16,9%), Sul (14,1%), Centro-Oeste (8,6%) e Norte (2,3%).
Marco Túlio Cintra, geriatra e presidente da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG), alerta para a insuficiência de profissionais diante da demanda: “O Brasil está passando por um acelerado processo de envelhecimento populacional. No entanto, o número de médicos geriatras ainda é insuficiente para atender a essa demanda crescente”. Ele ressalta a importância de expandir a formação e de sensibilizar outros profissionais de saúde sobre os cuidados geriátricos, visando manter a autonomia e a qualidade de vida dos idosos.
O geriatra, especialista em prevenção, diagnóstico e tratamento de condições relacionadas ao envelhecimento, desempenha um papel fundamental no manejo de doenças crônicas como hipertensão, diabetes e demências. O acompanhamento contínuo, que pode iniciar antes dos 60 anos para quem busca um envelhecimento saudável ou possui doenças complexas, é essencial para preservar a funcionalidade e o bem-estar, respeitando as prioridades individuais e apoiando o idoso e sua família em todas as fases, incluindo cuidados paliativos.
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