SAÚDE PÚBLICA AVANÇA

Nova Diretriz Brasileira para o Rastreamento do Câncer do Colo do Útero prioriza teste molecular e autocoleta

Exame de autocoleta para prevenção de câncer do colo do útero
A autocoleta de HPV democratiza o acesso ao rastreamento preventivo no SUS. Foto: Adobe Stock

A estratégia, que integra o SUS, visa ampliar a adesão ao rastreamento e reduzir desigualdades sociais no diagnóstico precoce do HPV

O rastreamento do câncer do colo do útero no Brasil passou por uma mudança estrutural definitiva após a publicação da Nova Diretriz Brasileira para o Rastreamento do Câncer do Colo do Útero em 2025. A decisão, que consolida a transição do exame de Papanicolaou para o teste molecular de HPV no SUS ao longo de cinco anos, busca eliminar a doença como problema de saúde pública ao oferecer maior sensibilidade na detecção de lesões pré-cancerosas.

A medida responde a um cenário preocupante: cerca de 19 mil novos casos surgem anualmente no Brasil, muitas vezes agravados pela barreira cultural ou física que impede a coleta ginecológica tradicional. Com a implementação desta diretriz, a autocoleta vaginal torna-se uma ferramenta estratégica, garantindo que a mulher possa realizar o procedimento em ambiente de sua conveniência, sem as amarras do medo ou da dificuldade de acesso.

Este avanço é particularmente vital para a equidade em saúde. Estudos da Rede Previna-se, liderados pela Universidade Estadual de Maringá (UEM) e financiados pelo CNPq, apontam que mulheres negras e quilombolas enfrentam as maiores taxas de mortalidade. Em 14/07/2026, essas pesquisas reforçam a urgência de levar o teste de HPV diretamente às comunidades através de busca ativa.

O projeto atual abrange as macrorregiões Centro-Sul, Amazônica e Nordeste, com polos em cidades como Maringá (Paraná), Dourados (Mato Grosso do Sul), Manaus (Amazonas), Natal (Rio Grande do Norte e Recife (Pernambuco). A meta é alcançar 600 mulheres com dispositivos simplificados, garantindo o encaminhamento imediato ao tratamento caso haja detecção de vírus de alto risco. A política pública, ao incorporar a autocoleta, deixa de ser apenas uma recomendação técnica para se tornar um instrumento efetivo de justiça social e preservação da vida.

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