FRAUDE EM LICITAÇÕES

Quadrilha utilizava empresas de fachada para desviar medicamentos contra o câncer

Policiais civis em operação contra quadrilha de medicamentos no RJ
Policiais civis cumprem mandado na Operação Metástase - Foto: Reprodução/TV Globo

Grupo criminoso movimentou R$ 33 milhões ao vender itens roubados para o governo e contava com apoio do Terceiro Comando Puro para abordar caminhões.

Uma organização criminosa especializada no desvio de medicamentos oncológicos e imunossupressores foi desarticulada pela Polícia Civil do RJ, que revelou um esquema sofisticado envolvendo a compra de empresas inativas para vencer licitações públicas. O grupo, que contava com o suporte logístico do Terceiro Comando Puro (TCP), movimentou mais de R$ 33 milhões em um ano, comprometendo o abastecimento de fármacos essenciais para pacientes em tratamento contra o câncer. A estratégia do bando consistia em adquirir companhias antigas e falidas para conferir uma falsa credibilidade perante o poder público. Segundo o delegado Luiz Eduardo Moura, da Delegacia de Roubos e Furtos de Cargas da Capital (DRFC-Cap), ao assumirem o controle dessas firmas, os criminosos utilizavam "laranjas" como sócios, permitindo que as empresas vencessem certames na modalidade tomada de preços. O impacto direto dessa prática atinge a dignidade de pacientes que dependem do sistema público de saúde. Ao reinserir cargas roubadas no mercado formal por meio de CNPJs de fachada, a organização colocava em risco a cadeia de suprimentos farmacêuticos. As investigações, batizadas de Operação Metástase, apontam que o grupo participou de pelo menos 50 assaltos desde 2023. Os criminosos monitoravam rotas de transporte com informações privilegiadas, efetuando abordagens estratégicas próximas ao Complexo da Maré. Após o roubo, as cargas eram armazenadas e posteriormente distribuídas para outros estados. Entre os alvos da ação policial estão Stefano Montovani Fernandes, apontado como chefe do esquema, Fernanda Rodrigues França, Guilherme Silva Lopes de Sena, Carlos Roberto Fernandes e Umberto Xavier de Lima. Os envolvidos negam as acusações e a medida policial, que resultou em prisões preventivas e em flagrante, ainda segue para análise judicial quanto a recursos da defesa.

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