SAÚDE E PREVENÇÃO
Brasileiros reconhecem sintomas do câncer colorretal, mas falham no diagnóstico precoce
Pesquisa realizada pela A.C.Camargo e Nexus revela que, embora 80% da população identifique a gravidade dos sintomas, a maioria ignora a busca por atendimento médico imediato.
O câncer colorretal permanece como um desafio silencioso para a maioria dos brasileiros, apesar de uma parcela expressiva da população reconhecer a gravidade dos sintomas associados à enfermidade. Levantamento realizado pela A.C.Camargo em parceria com a Nexus, intitulado “A saúde do brasileiro, hábitos de vida e o uso de tecnologia em diagnósticos médicos”, ouviu mais de 2 mil pessoas para mapear o comportamento diante da doença.
Conforme dados apresentados no estudo, 8 em cada 10 brasileiros identificam que a presença de sangue nas fezes ou a mudança no ritmo intestinal por mais de um mês são sinais de alerta. No entanto, o conhecimento teórico não se traduz em ação prática imediata para uma fatia significativa de pacientes. Apenas 21% dos entrevistados possuem contato direto com casos da doença, seja por vivência própria ou de familiares, como ocorreu com a cantora Preta Gil, que faleceu em julho do ano passado após enfrentar o tumor durante dois anos.
O cenário é de extrema relevância, considerando que em fevereiro deste ano, o Instituto Nacional de Câncer (INCA) estimou a incidência de 53.810 novos casos anuais para o triênio 2026-2028 no Brasil. O câncer colorretal ocupa hoje a posição de segundo tumor com maior prevalência entre a população nacional.
O abismo entre a percepção e o cuidado médico é evidente: entre os 9% de entrevistados que relataram ter notado sangue nas fezes, 40% não buscaram ajuda profissional de imediato. Enquanto alguns optaram pela automedicação, outros simplesmente esperaram o sintoma desaparecer, comportamento que atinge níveis críticos de 43% entre residentes das regiões Norte/Centro-Oeste.
Além da hesitação no atendimento, o desconhecimento sobre métodos preventivos é um obstáculo adicional. Dois em cada três brasileiros nunca ouviram falar do exame de Pesquisa de Sangue Oculto nas Fezes (PSO), ferramenta eficaz e de baixo custo para o rastreio precoce. Especialistas da A.C.Camargo reforçam que sinais como dor abdominal persistente e perda de peso sem causa aparente exigem atenção rigorosa, sendo fundamental a realização de exames preventivos a partir dos 45 anos, respeitando as orientações de histórico familiar.
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