ALERTA CLIMÁTICO GLOBAL

NOAA eleva alerta e prevê forte El Niño para o verão no Hemisfério Sul

Gráfico mostrando os valores dos índices Niño-3.4, Niño-4 e Niño-1+2, indicando o aquecimento do Pacífico Equatorial.
O último valor semanal do índice Niño-3.4 foi de +0,4°C, com os índices mais a oeste (Niño-4) e mais a leste (Niño-1+2) em +0,5°C e +1,0°C, respectivamente • Reprodução/NOAA/CPC/ENSO

Fenômeno deve começar entre maio e julho de 2026, com 96% de chance de persistir até fevereiro de 2027, alterando drasticamente o clima global e brasileiro.

A Administração Nacional para Oceanos e Atmosfera dos Estados Unidos (NOAA) elevou nesta quinta-feira, 14 de maio de 2026, o status para “alerta de El Niño”, indicando a iminente formação do fenômeno climático global. A decisão foi motivada por um aquecimento consistente das águas do oceano Pacífico Equatorial e mudanças atmosféricas, e importa porque sinaliza a chegada de um El Niño que pode ter impactos significativos na vida de milhões de pessoas em todo o mundo, com alterações climáticas que afetam desde a agricultura e o fornecimento de água até a saúde pública e a infraestrutura.

Os sinais de formação de um novo episódio de El Niño ficaram mais intensos nas últimas semanas de maio de 2026, e o fenômeno pode começar oficialmente já entre o fim de maio e o início de junho de 2026. Este avanço nas condições favoráveis para o desenvolvimento do El Niño é um sinal crítico para governos e comunidades se prepararem para possíveis cenários de chuvas excessivas ou secas prolongadas.

O novo relatório, divulgado pela agência norte-americana nesta quinta-feira, 14 de maio de 2026, aponta um aumento consistente da temperatura das águas do oceano Pacífico Equatorial, além de mudanças atmosféricas compatíveis com a formação do El Niño. Até abril de 2026, a NOAA classificava o cenário apenas como “estado de atenção”, mas a intensificação dos indicadores levou à elevação do alerta.

Segundo a projeção mais recente da agência, há 82% de chance de o El Niño se formar entre maio e julho de 2026. Já a probabilidade de o fenômeno permanecer ativo entre dezembro de 2026 e fevereiro de 2027 chega a 96%, período que corresponde ao verão no Hemisfério Sul. Essa persistência é um fator de preocupação, pois sugere uma longa duração dos impactos.

Apesar de o fenômeno ainda não ter sido oficialmente declarado, análise da Climatempo afirma que o cenário atual praticamente elimina dúvidas sobre a formação de um novo episódio nos próximos meses. A principal incerteza agora envolve a intensidade do aquecimento, que determinará a magnitude dos efeitos climáticos.

Aquecimento do Pacífico se intensifica

De acordo com o Climate Prediction Center (CPC), braço climático da NOAA, o oceano Pacífico Equatorial apresentou aquecimento gradual e persistente nas últimas semanas de maio de 2026. Na região conhecida como Niño 3.4, considerada uma das principais áreas de monitoramento do fenômeno, a temperatura da água ficou cerca de 0,4°C acima da média.

Embora o índice ainda esteja ligeiramente abaixo do limite de 0,5°C usado para caracterizar oficialmente um episódio de El Niño, outros indicadores reforçam a tendência de formação do fenômeno. A elevação constante dessas temperaturas sublinha a gravidade da situação.

As anomalias registradas atualmente são:

  • Niño 3.4: +0,4°C
  • Niño 4: +0,5°C
  • Niño 1+2: +1,0°C

Segundo a NOAA, o aquecimento das águas subsuperficiais do Pacífico Equatorial também se intensificou pelo sexto mês consecutivo até maio de 2026. No começo de maio de 2026, áreas próximas à costa do Peru apresentaram temperaturas significativamente acima da média histórica, um dos principais sinais associados à evolução do El Niño e que prenuncia impactos na pesca e nos ecossistemas marinhos.

Fenômeno pode ganhar força no segundo semestre de 2026

Os modelos climáticos mais recentes indicam que o aquecimento do Pacífico deve aumentar ao longo do segundo semestre de 2026. A expectativa é de que os impactos mais relevantes sejam sentidos principalmente a partir da primavera de 2026, período em que o El Niño costuma atingir maior intensidade e influenciar de forma mais direta os padrões climáticos globais, com consequências sentidas por bilhões de pessoas.

Segundo a previsão probabilística de intensidade divulgada pelo CPC, existe praticamente a mesma chance de o fenômeno atingir níveis moderados, fortes ou até muito fortes entre novembro de 2026 e janeiro de 2027. Esta incerteza demanda atenção e planejamento constante.

Com isso, em concordância com a Climatempo, o cenário mais provável neste momento é de um El Niño de forte intensidade. Ainda não há confirmação de que o evento alcance níveis considerados “super El Niño”, como os registrados em 1997/98 e 2015/16, mas os modelos apontam para um aquecimento expressivo que exige máxima vigilância.

Impactos no Brasil

O El Niño altera a circulação atmosférica global e costuma provocar mudanças importantes no regime de chuvas e temperaturas em diversas regiões do Brasil, impactando diretamente a vida de milhões de brasileiros.

Historicamente, o fenômeno está associado ao aumento das chuvas no Sul do país, o que pode causar inundações e deslizamentos, enquanto parte do Norte e do Nordeste tende a enfrentar períodos mais secos e temperaturas acima da média, agravando o risco de incêndios e a escassez de água. No Sudeste e no Centro-Oeste, os impactos variam de acordo com a intensidade do fenômeno e a época do ano, exigindo adaptações em diferentes setores.

Segundo a Climatempo, no entanto, ainda é cedo para detalhar os efeitos regionais específicos deste novo episódio. A tendência é de que as projeções fiquem mais precisas ao longo das próximas semanas, conforme o aquecimento do Pacífico avance e o fenômeno seja oficialmente configurado, permitindo um planejamento mais assertivo.

A próxima Discussão de Diagnóstico da NOAA está agendada para 11 de junho de 2026, data crucial para novas atualizações e cenários.

Nova onda de frio e inverno menos rigoroso em 2026

À CNN, o meteorologista Alexandre Nascimento afirmou que o frio registrado neste início de maio de 2026 está dentro do esperado para a época do ano, embora tenha chegado um pouco mais tarde do que o habitual. Segundo ele, a massa polar associada à frente fria conseguiu avançar até o sul da Amazônia, provocando o fenômeno conhecido como friagem e afetando comunidades locais.

Nascimento também afirmou que o inverno de 2026 deve ser menos rigoroso do que o do ano passado por causa da formação do fenômeno El Niño. Segundo o especialista, o fim do outono e o começo do inverno ainda devem registrar novas massas de ar polar, mas julho e agosto de 2026 tendem a ter temperaturas acima da média, o que pode trazer desafios para a agricultura e a saúde.

O meteorologista já havia antecipado que uma nova frente fria avançaria pelo país entre esta quinta-feira, 14 de maio de 2026, e o fim de semana, chegando ao Sudeste entre os dias 18 e 19 de maio de 2026, com previsão de chuva e nova queda de temperatura, mostrando a complexidade das interações climáticas.

Gostou desta notícia?

Entre no nosso grupo do WhatsApp!

Receba as principais notícias em primeira mão, direto no seu celular. É grátis!

📲 Quero entrar no grupo

Compartilhe esta matéria

Comentários (0)

Seja o primeiro a comentar!

Deixe seu comentário