DIPLOMACIA E COMÉRCIO

Negociações comerciais com EUA ficam em compasso de espera até eleições

Foto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em encontro com Donald Trump.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump em encontro internacional.

Planalto aguarda aceno de Washington para retomar diálogos enquanto busca novos mercados; tarifa de 25% entra em vigor nesta quarta-feira, 22/07/2026.

O Governo brasileiro projeta que as negociações formais com os Estados Unidos sobre o novo tarifaço de 25% só avancem após o pleito de outubro de 2026. A decisão de aguardar um sinal de Washington foi consolidada nesta segunda-feira, 20/07/2026, diante da ausência de um cronograma para novas rodadas de conversas e da proximidade da entrada em vigor da medida, prevista para 22 de julho de 2026.

A avaliação do Palácio do Planalto é de que a administração de Donald Trump prefere aguardar a definição do cenário político brasileiro antes de qualquer avanço. Para o governo, a sobretaxa possui motivações políticas claras, um entendimento reforçado pelo chanceler Mauro Vieira, que na quinta-feira, 16/07/2026, classificou as exigências norte-americanas como inaceitáveis e desprovidas de contrapartidas equilibradas para o Brasil.

O impacto dessas tensões atinge diretamente a balança comercial e a previsibilidade para diversos setores produtivos. Em um movimento que gerou repercussão política, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) solicitou em audiência do USTR que a aplicação da tarifa fosse postergada para depois das eleições de outubro. O parlamentar, que é pré-candidato à Presidência, argumentou que buscaria um novo acordo comercial caso vença o pleito.

Enquanto aguarda uma sinalização de Jamieson Greer, representante comercial dos EUA, o Brasil busca alternativas para mitigar danos. O Mdic, sob coordenação do secretário-executivo Márcio Elias Rosa, trabalha no mapeamento de apoios setoriais e na ampliação de fluxos comerciais com o Canadá, Emirados Árabes Unidos e Japão. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem mantido uma postura de cautela, afirmando que priorizará o diálogo diplomático.

A disputa está fundamentada na Seção 301, dispositivo utilizado pelos EUA para retaliar o que consideram práticas comerciais desleais. O Governo nega as irregularidades e sustenta que as investigações norte-americanas servem a propósitos que transcendem a técnica comercial, mantendo, contudo, a disposição para retomar as tratativas assim que houver um convite oficial de Washington.

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