INTERVENÇÃO E PODER

A sombra de Trump na Copa do Mundo: política e polêmica nos EUA

Donald Trump posa com o troféu da Copa do Mundo em Nova York.
Donald Trump ao lado do troféu da Copa do Mundo durante evento da FIFA na Trump Tower em Nova York, em 17 de julho de 2026.

O presidente Donald Trump utilizou o torneio como vitrine eleitoral, marcando presença em momentos decisivos e gerando críticas por interferência direta na gestão da FIFA.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tornou-se o protagonista inesperado da final da Copa do Mundo, realizada neste domingo (19), ao buscar espaço de destaque durante a celebração da seleção da Espanha. O episódio, que obrigou o presidente da FIFA, Gianni Infantino, a intervir para garantir o protagonismo dos atletas, reflete o uso político do evento esportivo em benefício da imagem do governante.

A presença de Trump no torneio extrapolou a cerimônia de encerramento. Especialistas apontam que o presidente utilizou a competição como ferramenta para consolidar apoio doméstico às vésperas das eleições de meio de mandato, marcadas para 3 de novembro. A estratégia incluiu desde restrições severas de imigração, que afetaram torcedores e árbitros, até uma controversa ligação à FIFA para reverter a suspensão do jogador americano Folarin Balogun.

Jules Boykoff, professor de Política e Governo na Pacific University, avalia que essas ações visam demonstrar à base eleitoral a capacidade de curvar organismos internacionais à vontade do governo americano. Entretanto, a tentativa de ganho político gerou críticas globais. O jornalista investigativo Karim Zidan classifica a interferência no caso de Balogun como um erro estratégico que, em vez de unir a nação, ampliou o desgaste da imagem de Trump perante o público internacional.

Mesmo com o impacto negativo, o presidente não sinalizou recuo. Após o encerramento do torneio em 2026, Trump declarou interesse em buscar novas candidaturas dos Estados Unidos para sediar Copas do Mundo futuras. Enquanto enfrenta um cenário político doméstico complexo, com o índice de aprovação abaixo de 40%, o líder americano parece buscar refúgio em arenas esportivas como o UFC, onde mantém um público fiel e garantido, longe das vaias que encontrou em outros estádios durante a Copa.

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