DEMOCRACIA SOB TENSÃO

Nayib Bukele avança para terceiro mandato presidencial em El Salvador

O presidente Nayib Bukele em cerimônia oficial em El Salvador.
O presidente Nayib Bukele consolidou o controle sobre as instituições salvadorenhas.

Após mudanças constitucionais aprovadas pelo Legislativo, o líder consolidou sua pré-candidatura para as eleições previstas para 2026.

O presidente de El Salvador, Nayib Bukele, assegurou sua pré-candidatura para um terceiro mandato consecutivo, consolidando o controle sobre o futuro político do país após uma série de mudanças institucionais, conforme confirmado em 14/07/2026. A decisão, que ignora precedentes históricos de alternância de poder, ocorre após o Legislativo modificar a Constituição para permitir a reeleição indefinida, alterando o curso democrático que se mantinha desde os Acordos de Paz de 1992.

A oficialização da candidatura aconteceu na noite de 12 de julho de 2026, por meio do partido Nuevas Ideas, que ratificou o nome de Nayib Bukele em um pleito interno sem concorrentes. Este movimento é o resultado de uma trajetória iniciada em julho de 2025, quando a Assembleia Legislativa, dominada pela base aliada, removeu os obstáculos jurídicos que impediam a permanência do governante no cargo.

A centralização do poder em El Salvador reflete o aparelhamento de instituições fundamentais. Com o apoio da Sala Constitucional, do Ministério Público e do Tribunal Supremo Eleitoral, Nayib Bukele contornou as vedações constitucionais que, no passado, ele próprio defendia para evitar a perpetuação no comando do Estado.

O impacto desta decisão reverbera na sociedade civil e na liberdade de expressão. Segundo a Apes (Associação de Jornalistas de El Salvador), mais de 50 jornalistas deixaram o país em 2025 diante de um cenário de crescente hostilidade. A implementação da Lei de Agentes Estrangeiros tem sido utilizada para pressionar organizações não governamentais, como a Cristosal, que monitora violações de direitos humanos em meio ao estado de exceção vigente desde março de 2022.

A preocupação internacional se estende às condições no Cecot (Centro de Confinamento do Terrorismo). Denúncias de tortura e falta de transparência em processos judiciais, incluindo a detenção prolongada de integrantes da sociedade civil, como Ruth López, reforçam os alertas de entidades como a Anistia Internacional sobre o desmantelamento das garantias judiciais no país.

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