SAÚDE EM RISCO
Natal suspende vacinação contra Covid por falta de doses
SMS aguarda reposição do Governo do Estado; falta afeta crianças e adultos em diversas UBS da capital.
A vacinação contra a Covid-19 foi suspensa em diversas Unidades de Saúde de Natal nesta quarta-feira, 29/04/2026. A medida, tomada pela Secretaria Municipal de Saúde (SMS) após enfrentar uma alta demanda e um quantitativo limitado de doses recebidos, coloca em risco a continuidade da imunização e a proteção da população, especialmente dos grupos mais vulneráveis.
A Secretaria Municipal de Saúde (SMS) de Natal informou que já solicitou a reposição dos imunizantes. A pasta aguarda, portanto, o envio de novas remessas de vacinas por parte do Governo do Estado do Rio Grande do Norte para reabastecer as salas de vacinação da capital.
Uma investigação da Inter TV revelou a gravidade da situação. Na tarde desta quarta-feira, 29/04/2026, a emissora visitou ao menos cinco unidades de saúde nas Zonas Leste, Oeste e Sul da cidade, confirmando a ausência do imunizante em todas elas. Equipes de saúde relataram que, em algumas dessas unidades, a escassez de doses se prolonga por até duas semanas.
As unidades visitadas pela Inter TV foram:
- UBS São João, na Zona Leste, onde falta vacina desde a semana passada;
- UBS Candelária, na Zona Sul, com falta há três dias;
- UBS Cidade da Esperança, na Zona Oeste, sem doses há duas semanas (para crianças e adultos);
- UBS Cidade Nova, na Zona Oeste, onde a última dose foi aplicada nesta quarta-feira, 29/04/2026;
- UBS do Alecrim e da Guarita, que estão funcionando no Distrito Sanitário Leste.
Procurada pela Inter TV, a Secretaria de Estado da Saúde Pública (Sesap) não se manifestou sobre o envio das doses até a última atualização desta reportagem.
Em um contexto mais amplo, o Ministério da Saúde informou que enviou 2,2 milhões de doses de vacina contra a Covid para todos os estados brasileiros no mês de abril. No período entre janeiro e março, outras 4,1 milhões já haviam sido distribuídas, com 2 milhões delas já aplicadas. A distribuição desses imunizantes é realizada pelo Ministério diretamente às secretarias estaduais de saúde (SES), que ficam então encarregadas da logística de recebimento e repasse das doses aos municípios.
Quem deve se vacinar?
O esquema de vacinação contra a Covid-19 no Brasil, atualizado pelo Ministério da Saúde, segue diretrizes que priorizam a proteção de grupos mais vulneráveis, estruturadas por faixa etária e condições de saúde.
- Idosos (a partir de 60 anos ou mais): duas doses, com intervalo de 6 meses entre elas;
- Gestantes: uma dose a cada gestação, em qualquer idade e fase gestacional, respeitando intervalo mínimo de 6 meses desde a última dose;
- Crianças (6 meses a menores de 5 anos): esquema básico de duas ou três doses, conforme o imunizante;
- Pessoas imunocomprometidas (a partir de 6 meses de idade): esquema básico com três doses e recomendação de doses periódicas (uma dose semestral, com intervalo mínimo de seis meses);
- População geral (5 a 59 anos): uma dose para pessoas não vacinadas anteriormente.
A estratégia de vacinação também contempla outros grupos especiais, como trabalhadores da Saúde, pessoas com comorbidades, pessoas com deficiência permanente, povos indígenas, comunidades quilombolas e ribeirinhas, população privada de liberdade, pessoas em situação de rua e trabalhadores dos Correios.
Cenário epidemiológico
Os dados mais recentes do Ministério da Saúde indicam um cenário epidemiológico que reforça a importância da imunização. Em 2026, até o dia 11 de abril, foram registrados 62.586 casos de síndrome gripal por Covid. Além disso, foram notificadas 30.871 ocorrências de síndrome respiratória aguda grave (SRAG), sendo 4,7% delas atribuídas à Covid (totalizando 1.456 casos), com 188 óbitos decorrentes de SRAG por Covid.
Diante desse cenário, o Ministério da Saúde reforça que a vacinação permanece como a estratégia mais eficaz de proteção. A pasta assegura que as vacinas disponibilizadas gratuitamente pelo SUS são seguras e altamente eficazes na prevenção de casos graves, internações e mortes. Portanto, é crucial que todos mantenham o esquema vacinal atualizado, com atenção especial aos grupos mais vulneráveis.
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