SAÚDE
Músculos fortes salvam ossos frágeis, alerta especialista
Ortopedista Isaías Chaves destaca o papel essencial da massa muscular para prevenir fraturas e garantir autonomia na velhice. A proteína e os exercícios de força são pilares para a proteção óssea.
A ciência da saúde redefiniu sua estratégia de combate às fraturas na terceira idade. Há um consenso crescente entre especialistas, como o ortopedista Isaías Chaves, da clínica ORION, de que a manutenção da massa muscular, condição conhecida como sarcopenia, é crucial para proteger os ossos e garantir a autonomia dos idosos. Este novo foco, que vai além do tradicional cálcio e vitamina D, busca blindar o esqueleto contra os impactos do tempo, prevenindo lesões graves como as de quadril e assegurando dignidade e qualidade de vida na velhice.
A fragilidade óssea na terceira idade é um fantasma que assombra a autonomia de muitos brasileiros, transformando um simples desequilíbrio doméstico em uma potencial fratura de quadril, uma das lesões mais limitantes. Nesse cenário, a perda de massa e força muscular emerge como uma das maiores vilãs, pois os músculos atuam como o principal "escudo" protetor dos ossos, amortecendo impactos e mantendo o equilíbrio.
Com o avançar da idade, o corpo humano enfrenta um processo natural de desgaste. No entanto, Isaías Chaves destaca que a atenção clínica tem se voltado cada vez mais para a musculatura. "Na prática clínica, observa-se que a perda muscular tem impacto direto na proteção do esqueleto, muitas vezes sendo tão ou mais relevante do que a própria saúde óssea isoladamente", afirma o especialista. A sarcopenia, ao reduzir a funcionalidade, eleva drasticamente o risco de quedas e suas consequências devastadoras.
O público feminino exige atenção redobrada, especialmente após a menopausa. A queda do estrogênio acelera a perda muscular e altera o metabolismo, dificultando a síntese proteica. Isaías relata uma queixa comum: "Doutor, hoje eu como menos e ainda engordo." Essa percepção é reflexo da mudança hormonal que diminui a síntese de proteínas e o metabolismo basal. Sem o estímulo do estrogênio, o corpo tende a perder músculos mais rápido, enquanto a ingestão alimentar e a atividade física costumam diminuir. Esse ciclo vicioso agrava a fragilidade, tornando o ajuste dietético uma necessidade urgente e não apenas uma opção.
Embora o cálcio e a vitamina D continuem no "time titular" da saúde óssea, a ingestão adequada de proteínas assumiu um papel central. Ela é a matéria-prima vital para a manutenção das fibras musculares e para a estabilidade das articulações. "Muitas idosas apresentam consumo proteico abaixo do ideal, o que pode exigir ajuste dietético ou até suplementação, sempre com orientação profissional", alerta o ortopedista. A proteína é, portanto, o alicerce para a estabilidade das articulações; muitas vezes, a dieta regular do idoso não atinge os níveis necessários.
A prevenção moderna da fragilidade óssea não depende apenas de micronutrientes, mas da combinação entre dieta e fortalecimento físico. A estratégia mais eficaz para evitar mesas de cirurgia é o investimento em prevenção, envolvendo um "combo" de nutrição rica em nutrientes e exercícios de fortalecimento. O objetivo final vai muito além de evitar uma lesão; trata-se de preservar a mobilidade e a independência. Manter o corpo ativo e bem nutrido ao longo do envelhecimento é, acima de tudo, garantir que a qualidade de vida não seja interrompida por uma queda evitável.
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