ARMAMENTO E CRIME
Mudanças no mercado de armas nos EUA geram temor sobre abastecimento do PCC e CV
Administração Trump revisa regras para facilitar venda de fuzis, levantando preocupações globais sobre o aumento do tráfico ilegal para facções brasileiras.
A administração Trump avança com uma revisão profunda nas diretrizes de comercialização de armamentos nos Estados Unidos, sob o argumento de restaurar direitos constitucionais de posse. Em 14 de julho de 2026, a análise das novas propostas do Departamento de Álcool, Tabaco, Armas de Fogo e Explosivos (ATF) coloca em alerta especialistas em segurança pública, que temem os reflexos dessa flexibilização no tráfico internacional de armas pesadas destinadas a grupos criminosos no Brasil.
Entre as alterações em debate está a possível permissão para que compras de armas de fogo, incluindo fuzis, sejam concluídas de forma totalmente digital e com entrega via correios. O modelo eliminaria a necessidade de comparecimento presencial em lojas, o que dificultaria o controle sobre antecedentes criminais dos compradores.
O impacto dessas medidas atinge diretamente a segurança de cidadãos brasileiros. O país já lida com um crescimento de 167% nas apreensões de fuzis entre 2021 e 2025. Pesquisas do Instituto Sou da Paz indicam que, em muitos casos, essas armas são adquiridas legalmente nos EUA por pessoas sem antecedentes e posteriormente contrabandeadas para o território nacional dentro de mercadorias comuns.
Em maio, a administração Trump classificou o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. Contudo, especialistas como Bruno Langeani questionam a eficácia da medida. Para eles, o foco deveria estar na regulação do varejo armamentista americano, visto que a facilidade de compra nos EUA frequentemente alimenta o poder de fogo de facções sem gerar consequências para os vendedores originais.
Enquanto a origem internacional do armamento preocupa, o Ministério da Justiça e Segurança Pública aponta que a proliferação de fábricas clandestinas no Brasil — as chamadas armas fantasmas — tornou-se o principal desafio. Embora de menor durabilidade, esses itens possuem alto custo-benefício para o crime organizado. A recém-criada Rede Nacional de Enfrentamento ao Tráfico de Armas (Renarme) busca integrar ações estaduais e federais para conter tanto a produção interna quanto as rotas de importação ilegal que persistem através das fronteiras e aeroportos.
Gostou desta notícia?
Entre no nosso grupo do WhatsApp!
Receba as principais notícias em primeira mão, direto no seu celular. É grátis!
📲 Quero entrar no grupo
Comentários (0)
Deixe seu comentário