SEGURANÇA PÚBLICA ESTRATÉGICA
Crime organizado atinge patamar crítico e ameaça a democracia, alerta Ministério Público
Procuradores e autoridades internacionais apontam que facções como o PCC atuam com lógica mafiosa e infiltração estatal, exigindo cooperação global urgente.
O nível de sofisticação e alcance das organizações criminosas no Brasil atingiu um patamar sem precedentes, colocando em risco a própria estabilidade das instituições democráticas. A declaração foi feita pelo procurador-geral de Justiça de São Paulo, Paulo Sérgio de Oliveira e Costa, na quinta-feira (23).
Durante a "Conferência de Consenso", evento que reuniu autoridades brasileiras e italianas no Ministério Público paulista, o procurador defendeu que a única resposta eficaz para frear essa expansão é a intensificação da cooperação internacional. Segundo o gestor, a criminalidade organizada no Brasil adquiriu um caráter transnacional, operando com estruturas que se assemelham, cada vez mais, às organizações mafiosas tradicionais.
Lincoln Gakiya, promotor do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) de Presidente Prudente (SP), reforçou o alerta ao classificar o PCC (Primeiro Comando da Capital) e o Comando Vermelho como máfias. O promotor destacou a complexa cadeia logística montada pelo crime, que já conta com braços estabelecidos na Europa. Um exemplo crítico citado é a aliança entre o PCC e a ‘Ndrangheta, organização mafiosa da Calábria.
Para o Ministério Público, o desafio vai além do tráfico de entorpecentes: a infiltração de facções na esfera política e na economia formal representa uma ameaça direta à dignidade da sociedade. Gakiya ressaltou que a corrupção é o motor que permite o florescimento dessas organizações. A perspectiva foi endossada por Giovanni Tartaglia, assessor jurídico do Ministério de Relações Exteriores da Itália, que descreveu o fenômeno como um "triângulo vicioso" entre ilícitos, corrupção e infiltração econômica.
O encontro em São Paulo estabeleceu diretrizes para fomentar o entendimento compartilhado sobre a ameaça, consolidar o diálogo entre instituições e promover uma abordagem multidisciplinar contra o narcotráfico e a lavagem de dinheiro. Estiveram presentes, além de especialistas, o procurador-geral de Justiça do Rio de Janeiro, Antonio José Campos Moreira; o procurador-geral de Justiça do Paraná, Francisco Zanicotti; a secretária da ILA, Tatiana Ribeiro Viana; e o ex-ministro do STF, Francisco Rezek.
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